Um juiz do Reino Unido negou o pedido de ex-funcionários da Rockstar Games para continuarem recebendo salários enquanto o processo judicial contra a empresa segue em andamento. A decisão representa um revés inicial para o grupo, mas está longe de encerrar a disputa.
No fim do ano passado, a Rockstar demitiu mais de 30 funcionários em seus escritórios do Reino Unido e do Canadá, alegando apenas “má conduta grave” como motivo oficial. Desde então, o caso vem gerando bastante repercussão nos bastidores da indústria.
Sindicato acusa retaliação por organização trabalhista
O Independent Workers’ Union of Great Britain (IWGB) afirma que as demissões aconteceram porque os funcionários faziam parte de um canal no Discord ligado ao sindicato de trabalhadores de games, ou estavam tentando se organizar sindicalmente dentro da Rockstar.
A Rockstar nega veementemente essa versão. Segundo a empresa, os funcionários foram desligados porque compartilharam informações altamente confidenciais em um canal “inseguro e público”, que incluía:
Funcionários de estúdios concorrentes
Um jornalista da indústria de games
Diversos usuários anônimos e não identificáveis
De acordo com a publisher, as informações envolviam detalhes de jogos ainda não anunciados, recursos em desenvolvimento, cronogramas internos e até protocolos de segurança de TI.
Juiz não vê “chance clara” de vitória imediata
Na audiência preliminar do tribunal trabalhista, os ex-funcionários solicitaram interim relief, um mecanismo que os recolocaria temporariamente na folha de pagamento da Rockstar até o fim do processo. A juíza Frances Eccles negou o pedido, afirmando que o grupo não conseguiu demonstrar uma “chance razoavelmente alta de sucesso” ao provar que as demissões ocorreram por tentativa de sindicalização.
Segundo reportagem da Bloomberg, a juíza deixou claro que isso não significa que o caso final será vencido pela Rockstar, apenas que, neste momento inicial, o tribunal não vê o cenário como claramente favorável ao sindicato.
Rockstar comemora, sindicato mantém acusação
Em comunicado enviado à imprensa, a Rockstar afirmou:
“O Tribunal Trabalhista de Glasgow rejeitou o pedido de alívio provisório do sindicato. Acolhemos a decisão, que está alinhada com a posição da Rockstar desde o início.”
A empresa reforçou que lamenta as demissões, mas sustenta que elas foram necessárias e justificadas. Já o IWGB segue firme em sua acusação. O sindicato afirma que a Rockstar teria limitado intencionalmente o número de demissões para evitar repercussão maior, mas ainda assim enfraquecer a tentativa de organização sindical, mantendo pessoal suficiente para o desenvolvimento dos jogos.
O presidente do IWGB, Alex Marshall, já havia classificado o caso como “union busting”, ou seja, uma tentativa deliberada de enfraquecer movimentos trabalhistas.
Caso segue aberto
A própria juíza reconheceu que existem argumentos válidos dos dois lados, inclusive destacando que alguns dos funcionários demitidos tiveram participação mínima no Discord. Ainda assim, a Rockstar sustenta que todos os desligados violaram cláusulas contratuais.
O processo segue em andamento, e o desfecho ainda pode trazer consequências importantes, não só para a Rockstar, mas para a discussão sobre sindicalização na indústria de games como um todo.
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