Metroid Prime 4: devs dizem que reiniciar o jogo de novo era “fora de cogitação”, mesmo com mudança de tendências !!

Depois de quase uma década em desenvolvimento, Metroid Prime 4: Beyond finalmente chegou ao Nintendo Switch e ao Switch 2 no mês passado. A recepção foi, em geral, positiva, mas algumas críticas surgiram, especialmente em relação aos personagens de apoio e ao hub em área aberta no deserto, que parte do público considerou um pouco datado.

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Agora, em uma entrevista inédita à Famitsu, traduzida pelo Nintendo Everything, a equipe de desenvolvimento falou abertamente pela primeira vez sobre as decisões difíceis que moldaram o jogo. E uma coisa ficou clara: reiniciar Metroid Prime 4 pela segunda vez nunca foi uma opção.

A ideia do “Metroid de mundo aberto”

Segundo o time, a direção de Beyond nasceu ainda no início do projeto, muito influenciada pelo impacto de The Legend of Zelda: Breath of the Wild. Na época, era comum ver comentários pedindo algo como “um Metroid em mundo aberto”. O problema é que isso entra em choque direto com o DNA da série.

“O elemento central de Metroid, de expandir áreas exploráveis ao desbloquear novas habilidades, não é muito compatível com a liberdade total de ir a qualquer lugar desde o começo”, explicou a equipe.

A solução encontrada foi um meio-termo: uma área ampla e livre para exploração funcionando como hub, conectando outros mapas mais tradicionais. Esse espaço também serviria para quebrar a tensão da exploração clássica e ajudar no ritmo da aventura, especialmente com o uso da moto.

Quando o tempo virou contra o projeto

O grande dilema surgiu mais tarde. O jogo demorou muito mais do que o esperado para ficar pronto e, nesse intervalo, a percepção dos jogadores sobre jogos de mundo aberto mudou bastante. Mesmo assim, a equipe bateu o pé.

“O desenvolvimento já tinha sido reiniciado uma vez, quando o projeto passou para a Retro Studios. Voltar atrás de novo estava fora de cogitação.”

Com o anúncio original feito ainda em 2017, novos atrasos simplesmente não eram realistas. A decisão foi seguir em frente com a visão original, mesmo sabendo que ela já não dialogava tanto com as tendências mais recentes.

Um jogo que escolheu não seguir a moda

Curiosamente, os desenvolvedores admitem que Metroid Prime 4 ignorou deliberadamente a evolução recente de shooters e jogos de ação, especialmente o aumento de velocidade que se tornou comum no gênero.

“Incorporar essas mudanças dificultaria a construção do ritmo de um jogo de aventura. Optamos ativamente por não levá-las em conta.”

O resultado, segundo eles mesmos, é um jogo que acaba ficando um pouco “descolado do seu tempo” - algo que, para alguns fãs, pode soar como crítica… e para outros, como elogio.

A virada com a Retro Studios e as habilidades psíquicas

Metroid Prime 4 foi anunciado na E3 2017, inicialmente com a Bandai Namco envolvida no desenvolvimento. Em 2019, a Nintendo surpreendeu ao confirmar que o projeto havia sido reiniciado do zero pela Retro Studios, criadora da trilogia original. Mesmo assim, algumas ideias já estavam definidas antes da troca de estúdio, incluindo o conceito das habilidades psíquicas de Samus.

“Ao brincar com o protótipo, surgiu a ideia de controlar o Charge Beam. Depois nos perguntamos: o que torna Samus capaz disso? Foi daí que vieram as habilidades psíquicas.”

Quando a Retro assumiu, a equipe foi incentivada a expandir ainda mais esse conceito, ajudando a moldar a identidade final de Beyond. No fim das contas, Metroid Prime 4 é o retrato de um projeto que atravessou gerações, modas e expectativas… e decidiu permanecer fiel a uma visão traçada muitos anos atrás, custe o que custar.

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