Microsoft perde US$ 440 bilhões em valor de mercado e investidores começam a duvidar da aposta em IA !!

Tem dias em que Wall Street resolve mandar um recado sem usar palavras. A Microsoft viveu um desses. Em uma única sessão, a empresa perdeu US$ 440 bilhões em valor de mercado, a segunda maior queda diária da história, ficando atrás apenas do tombo da NVIDIA no ano passado. As ações caíram 5,37% no dia e já acumulam quase 14% de queda em janeiro de 2026, apagando praticamente todos os ganhos que a empresa havia conquistado com a febre da inteligência artificial.

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E o mais curioso é que isso aconteceu logo após a Microsoft divulgar um trimestre que, no papel, parecia excelente. A receita passou de US$ 81 bilhões, a nuvem ultrapassou US$ 50 bilhões, o lucro operacional cresceu 21%, o lucro líquido saltou 60%, o Microsoft 365 Copilot cresceu 160% e o GitHub Copilot 75%. Até o retorno aos acionistas subiu 32%. Se você olhasse apenas esses números, pareceria uma empresa voando.

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Mas o mercado não está olhando para isso. Ele está olhando para o tamanho da aposta. O centro de tudo é o Azure e a estratégia de IA de Satya Nadella. A nuvem cresceu 39%, com previsão de 37% para frente. Forte, sim. Só que a Microsoft está gastando como se estivesse crescendo a 60, 70, 80.

O capex, o dinheiro investido em data centers, chips e infraestrutura, chegou perto de US$ 40 bilhões no trimestre, uma alta de cerca de 70% ano contra ano. Grande parte disso vai para GPUs da NVIDIA, que são caríssimas e se tornam obsoletas rápido dentro de um data center. Investidores estão começando a se perguntar se a Microsoft vai conseguir recuperar esse dinheiro antes de ter que comprar tudo de novo.

E aí entra o segundo fantasma: OpenAI. A Microsoft está profundamente amarrada a uma empresa que consome bilhões de dólares por ano e ainda não provou que consegue gerar lucro na mesma escala. A OpenAI já estaria buscando mais dezenas de bilhões em investimentos para continuar operando. Isso transforma a parceria em algo menos parecido com um motor de crescimento e mais com uma fornalha de dinheiro.

No fundo, a pergunta que está derrubando a ação é simples e cruel: onde está o retorno real dessa avalanche de gastos? E aqui entra um detalhe que muita gente tenta ignorar: o Xbox não importa para Wall Street.

No mesmo trimestre em que a Microsoft perdeu US$ 440 bilhões em valor de mercado, a divisão de games sofreu um baque. Xbox Content & Services caiu 9%, puxado por um ano mais fraco de Call of Duty, e isso arrastou toda a divisão de computação pessoal da empresa para baixo. Mesmo com Xbox Cloud Gaming e PC Gaming batendo recordes de uso, o impacto financeiro foi negativo.

Mas, para o mercado, isso é quase irrelevante. O Xbox pode crescer 50% ou cair 10% que isso não muda a narrativa das ações. A realidade dura é que a divisão de games é pequena demais dentro da Microsoft para mover o ponteiro quando comparada ao Azure e à nuvem corporativa. O que dói para os investidores não é Call of Duty vender menos. É a possibilidade de que bilhões de dólares em servidores de IA nunca se paguem.

Hoje, a maior parte das pessoas usa IA de graça. Copilot ainda não convenceu o mercado. ChatGPT monetiza pouco perto do que consome. E enquanto isso, a Microsoft constrói data centers, compra chips, paga energia, refrigeração, manutenção e contratos de longo prazo que pressionam as margens.

O mercado não está dizendo que IA não importa. Está dizendo que a velocidade do gasto da Microsoft não combina com a velocidade do retorno. E quando você olha para o outro lado da mesa, vê o Google. Crescendo menos, investindo com mais cuidado, controlando seu próprio stack de tecnologia e sem depender de uma empresa externa como a OpenAI. No papel, isso parece mais previsível. Mais eficiente. Mais seguro.

A Microsoft está apostando tudo em um futuro de super-IA, quase de ficção científica. Pode dar certo. Pode ser a maior virada da história da tecnologia. Mas, para quem investe bilhões, fé não é suficiente.

Wall Street quer números. E agora, eles estão dizendo que a conta não fecha.

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