Tem jogo que a gente olha e pensa: “isso aqui pode dar muito certo”. Roguematch - The Extraplanar Invasion é exatamente esse tipo de jogo. Ele pega a base de match-3, mistura com estrutura roguelike e joga uma invasão por cima pra justificar o caos. A proposta é até criativa. E, em vários momentos, funciona muito bem.

A ideia central é simples de entender, mas cheia de possibilidades. Você combina peças no estilo puzzle clássico, mas cada combinação ativa habilidades, causa dano, carrega poderes e altera o rumo da batalha. Não é só alinhar três cores. É pensar turno a turno, antecipar inimigos e decidir se vale mais atacar, se defender ou preparar algo maior.

E quando o jogo engata… engata bonito.
Existe um ritmo gostoso e viciante entre montar combos e ver o estrago acontecendo. Algumas builds são especialmente satisfatórias, principalmente quando você começa a destravar melhorias e percebe que aquele personagem que parecia comum virou uma máquina de destruição estratégica. Mapas ramificados, upgrades randômicos, runs com personalidade. Uma hora você acha sinergia insana e limpa tela; na outra, sofre para sobreviver as primeiras lutas. Essa imprevisibilidade prende, xará e é o que segura o jogador por mais tempo.

Mas aqui entra o lado honesto da conversa.
Em certos momentos, o equilíbrio oscila bastante. Algumas builds ficam poderosas demais bem cedo, enquanto outras parecem depender demais da sorte. E como o jogo mistura estratégia com RNG, quando a combinação certa não aparece, a sensação pode ser mais frustrante do que desafiadora.
A apresentação cumpre bem o papel, mas não deslumbra. O visual é funcional, a interface é clara o suficiente e tem efeitos competentes. Nada feio, mas também nada que grude na memória. A trilha acompanha o clima, sem roubar a cena. O que realmente sustenta Roguematch - The Extraplanar Invasion é a ideia. A mistura de puzzle com combate tático é inteligente e tem sua identidade própria. Não parece uma cópia direta de nada. É um jogo que quer experimentar, e só isso já merece crédito.

No fim das contas, Roguematch é uma experiência que agrada especialmente quem gosta de sistemas, sinergias e aquela sensação de montar algo que funciona. Ele pode não ser perfeito no balanceamento, mas tem personalidade suficiente para te prender.
Se você curte um puzzle estratégico com estrutura roguelike e não se incomoda com um pouco de imprevisibilidade no caminho, o jogo vale a visita. Às vezes a melhor jogada não é a mais óbvia. E Roguematch entende bem isso.
Postar um comentário