Como todo jogador de videogame já sabe, tem jogos que não entram na sua vida… eles moram nela faz décadas. Bomberman é assim. Aquela tela quadriculada, bombas em sequência, corredor apertado e amizade sendo testada no grito. Super Bomberman Collection, da Konami com desenvolvimento da Red Art Games, chega com a proposta de reunir fases, versões e momentos clássicos da série num pacote comemorativo. E ele entrega isso. Só que do jeito mais “coleção de vitrine” possível.

Não é uma reinvenção. Não é um reboot, nem um remix turbinado. É uma cápsula do tempo com o pavio aceso.
A coleção reúne versões clássicas do Bomberman que ajudaram a construir a fama do personagem ao longo dos anos. Para quem cresceu explodindo blocos e prendendo amigo em corredor sem saída, é um prato cheio de memória afetiva. Você bate o olho na tela e o cérebro já toca a musiquinha sozinho.

E o mais importante, o núcleo continua funcionando. A base do gameplay segue tão afiada quanto sempre foi. Posicionamento. Leitura de mapa. Aquele tempo de explosão. E nosso cálculo mental clássico: “se eu colocar uma bomba aqui, ou eu morro ou viro lenda”.Isso continua deliciosamente presente. Menos quando você se prende sozinho na parede... Bomberman é um daqueles jogos com design eterno. Fácil de entender, difícil de dominar e perfeito para uma rivalidade local.
O multiplayer segue sendo o coração da experiência. Jogar sozinho diverte, mas reunir gente no sofá ainda é onde a mágica acontece de verdade. Traições silenciosas, risadas altas e aquela falsa inocência antes de bloquear a saída de alguém continuam vivas e perigosas. Só faltou um modo online para ser perfeito.

Mas Falando como jogador, sem filtro de nostalgia: o pacote tem cheiro forte de arquivo histórico. A interface é simples demais. Existem poucos extras realmente empolgantes. E a apresentação poderia celebrar melhor o peso da franquia. Faltou mais material de bastidores, galerias mais ricas, curiosidades, modos especiais destraváveis… coisas que transformam uma coleção em evento.
Um ótimo exemplo disso que falei é a Coletânea das Tartarugas Ninja. O nível de material ali é incrível. Temos um arquivo histórico digno dos sonhos. Imagens, manuais, vídeos, dicas dos jogos... Acho que essa coletânea deixou a gente mal acostumado, querendo sempre aquele nível de cuidado. E vamos ser sinceros? Isso não seria nada mal...

Em vários momentos, a sensação é que o conteúdo é valioso, mas a embalagem é econômica demais.
Tecnicamente tudo aqui funciona bem, os jogos rodam estáveis e fiéis às versões originais, o que é ótimo para preservação. Só que quem esperava melhorias mais ousadas, opções modernas robustas ou novos modos pode sentir falta de algo além do básico bem executado. Você também pode salvar quando quiser, e usar o rewind quando der um passo em falso (o que VAI acontecer, afinal isso aqui é Bomberman, Xará).
No fim, Super Bomberman Collection é exatamente o que o nome promete: uma coleção. Não uma reinvenção, não uma celebração gigante, mas um resgate sólido de uma das franquias mais importantes do multiplayer raiz.
Para os fãs, é reencontro. Para os novos jogadores, é uma aula de design clássico. Para quem queria um grande pacote comemorativo cheio de extras… é bom, mas pode soar contido demais.
Sós uma coisa permanece igual desde sempre: colocou uma bomba no lugar errado, já era, Xará.
Segue, como sempre logo abaixo, o Review Estilo Revista dos anos 90.

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