Produtor de Dragon Age diz que mais jogos deveriam usar publicidade em vez de microtransações !!

O veterano da BioWare Mark Darrah voltou a fazer críticas ao modelo atual da indústria dos games e apresentou uma alternativa que certamente vai gerar debate.

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Segundo o ex-produtor da série Dragon Age, mais estúdios deveriam considerar o uso de publicidade e product placement para financiar seus projetos, reduzindo a dependência de microtransações, passes de batalha e modelos live service.

A declaração surgiu em um vídeo publicado em seu canal pessoal no YouTube, onde Darrah discutiu os desafios financeiros enfrentados pelos jogos AAA modernos.

A inspiração veio do cinema

Durante a conversa, Darrah citou a indústria cinematográfica como exemplo. Segundo ele, filmes e séries utilizam inserções de marcas há décadas para ajudar a financiar produções. O produtor chegou a mencionar o recente filme dos Smurfs como um caso em que o financiamento através de product placement teria sido extremamente relevante para a produção.

A ideia, segundo ele, é que os videogames poderiam explorar esse tipo de parceria de forma muito mais ampla do que fazem atualmente.

O problema das microtransações

Para Darrah, o principal problema do modelo live service não é apenas financeiro. Ele acredita que a monetização acaba influenciando diretamente as decisões de design. Segundo o veterano, quando um jogo depende de compras constantes dentro do aplicativo, existe uma tendência natural de priorizar mecanismos que incentivem gasto contínuo dos jogadores.

Isso pode criar situações em que a experiência deixa de ser projetada em torno da diversão e passa a ser construída para maximizar receita. Em sua visão, isso afeta especialmente determinados gêneros que não se encaixam naturalmente no formato live service.

Nem todo jogo pode ser um serviço

Um dos pontos mais fortes levantados por Darrah é que a indústria parece estar apostando excessivamente em um único modelo de negócios. Segundo ele, os últimos anos provaram que nem todos os projetos conseguem sobreviver como serviços permanentes.

A quantidade de encerramentos de jogos online, cancelamentos e fracassos comerciais teria demonstrado os limites dessa estratégia.

Por isso, o produtor acredita que a indústria precisa explorar alternativas.

Até serviços de assinatura podem criar problemas

Darrah também comentou sobre plataformas de assinatura como o Xbox Game Pass. Embora reconheça que esses serviços ajudam a financiar projetos, ele alerta que alguns modelos de remuneração podem gerar incentivos problemáticos.

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E se um estúdio for recompensado principalmente por métricas de engajamento, por exemplo, pode acabar criando mecânicas que incentivem acessos frequentes em vez de focar na melhor experiência possível para o jogador.

Segundo ele, esse tipo de sistema pode acabar distorcendo prioridades de desenvolvimento.

Product placement poderia ajudar alguns gêneros

O veterano acredita que a publicidade poderia representar uma fonte complementar de receita para determinados tipos de jogos. Isso permitiria que experiências single-player ou projetos que não se encaixam naturalmente em modelos live service tivessem mais espaço para existir.

Ele admite que ainda não possui uma solução definitiva para o problema, mas acredita que a discussão precisa acontecer antes que a indústria fique dependente demais de um único modelo de monetização.

O risco para os jogos AAA

Para Darrah, o cenário mais preocupante seria chegar a um ponto em que praticamente todos os grandes lançamentos AAA precisassem funcionar como jogos de serviço. Nesse cenário, experiências tradicionais focadas em campanha, narrativa ou progressão linear poderiam se tornar cada vez mais raras.

E isso, segundo ele, seria ruim tanto para os jogadores quanto para a própria diversidade da indústria.

Clima Sussuworld 🎮

Confesso que quando li "product placement nos games", minha primeira reação foi imaginar o Geralt parando no meio de uma caçada para tomar um refrigerante. Mas brincadeiras à parte, o ponto do Mark Darrah é interessante. Porque a discussão não é sobre colocar propaganda em tudo.

É sobre encontrar alternativas.

Hoje parece que toda reunião de investidores termina com alguém perguntando: "Mas onde entra o passe de batalha?" "Cadê a loja?" "Tem monetização recorrente?" E aí muitos jogos acabam sendo moldados em volta dessas respostas.

O curioso é que publicidade já existe nos games há décadas.

Jogos de corrida exibem marcas reais. Títulos esportivos reproduzem patrocinadores. Até aventuras narrativas ocasionalmente usam produtos licenciados. A diferença é que isso normalmente fica em segundo plano.

A pergunta é: será que os jogadores aceitariam mais publicidade em troca de menos microtransações?

Sinceramente?

Acho que muita gente toparia ver uma placa da Coca-Cola no cenário se isso significasse menos lojas empurrando skins de R$ 100 dentro do jogo.

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