Uma declaração de David Gaider, um dos principais responsáveis pela criação de Dragon Age, reacendeu o debate sobre o futuro da franquia da BioWare.

Em entrevista ao PC Gamer, o veterano roteirista afirmou que não acredita que a série tenha muito futuro sob o comando da Electronic Arts, além de revelar que, durante anos, sentia que cada novo jogo poderia ser o último.
As declarações chegam em um momento delicado para a franquia, especialmente após o lançamento de Dragon Age: The Veilguard, em 2024, que dividiu opiniões e não alcançou o impacto esperado por parte da comunidade.
"Sempre estivemos a um passo de sermos engavetados"
David Gaider trabalhou na série até 2014 e foi o roteirista principal de Dragon Age: Inquisition, considerado por muitos o auge da franquia.
Segundo ele, a situação dentro da EA nunca foi confortável.
"Na Electronic Arts? Acho improvável. Durante todo o tempo em que trabalhei lá, sempre estivemos a um passo de o projeto ser engavetado. O que acontecia era que lançávamos um jogo, ele vendia muito mais do que a EA esperava e isso sempre os surpreendia."
A declaração mostra que, mesmo com o sucesso comercial da série ao longo dos anos, Dragon Age nunca pareceu ocupar uma posição de absoluta segurança dentro da publisher.
Gaider voltaria... mas mudaria muita coisa
Apesar do tom pessimista sobre o futuro da franquia, Gaider revelou que aceitaria voltar caso tivesse a oportunidade de comandar Dragon Age novamente.
Segundo ele, sua ideia seria resgatar aquilo que tornou a série especial desde Dragon Age: Origins.
"Se, por algum alinhamento estranho das estrelas, alguém devolvesse Dragon Age para mim e dissesse: 'Faça essa franquia voltar à vida', seria um grande desafio. Eu voltaria às origens do que fez Dragon Age conquistar tantas pessoas. Levaria a série para um caminho mais sombrio, mais perigoso... faria escolhas que deixariam muita gente desconfortável."
A declaração deixa claro que Gaider acredita que Dragon Age perdeu parte de sua identidade ao longo dos anos, especialmente no tom mais adulto e nas decisões moralmente difíceis que marcaram os primeiros jogos.
O futuro da franquia continua incerto
Até o momento, a Electronic Arts não comentou qualquer plano envolvendo um novo Dragon Age.
Depois de anos de desenvolvimento turbulento em The Veilguard, muitos jogadores se perguntam qual será o próximo passo da BioWare, principalmente considerando os desafios enfrentados recentemente pelo estúdio.
Embora Gaider não faça parte da empresa há mais de uma década, suas palavras chamam atenção justamente por conhecer de perto a história da franquia e a forma como ela era vista internamente.
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É curioso ver um dos criadores de Dragon Age dizer, com tanta franqueza, que nunca sentiu a franquia realmente segura dentro da EA. Isso ajuda a entender por que a série passou por tantas mudanças de direção ao longo dos anos.
A ideia de voltar às raízes, com uma fantasia mais sombria, escolhas difíceis e consequências pesadas, certamente vai agradar muitos fãs de Dragon Age: Origins. Afinal, boa parte da comunidade ainda considera aquele primeiro jogo o verdadeiro DNA da franquia.
Se isso um dia vai acontecer é outra história. Mas uma coisa é certa: Dragon Age continua sendo uma das IPs de RPG mais importantes da indústria, e seria uma pena vê-la desaparecer justamente quando tantos jogadores ainda esperam por um grande retorno.
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