O anúncio da Sony de que deixará de produzir mídias físicas para novos jogos de PlayStation a partir de janeiro de 2028 continua repercutindo na indústria.

Depois da forte reação de jogadores e colecionadores nas redes sociais, agora foi a vez da GAME, uma das maiores redes varejistas de videogames do Reino Unido e da Espanha, publicar um duro comunicado criticando a decisão da empresa japonesa.
Segundo a rede, o futuro dos videogames não deveria ser construído eliminando opções, mas oferecendo mais liberdade para os consumidores.
"Digital e físico podem coexistir"
Em uma longa publicação nas redes sociais, a GAME afirmou que continuará defendendo a mídia física e criticou a ideia de que o desaparecimento dos discos seja uma evolução inevitável.
"Os amantes dos videogames, chegou a hora de defender aquilo que importa para nós."
A empresa afirma que, desde o surgimento das lojas digitais, o mercado vem ouvindo repetidamente que a mídia física iria desaparecer. No entanto, segundo a varejista, foi justamente o apoio contínuo da comunidade que manteve esse formato vivo durante todos esses anos.
"Cada edição física que desaparece tira uma liberdade do jogador"
Para a GAME, o fim dos discos representa muito mais do que uma mudança tecnológica.
Segundo o comunicado, a decisão afeta diretamente diversos direitos do consumidor, como:
- Emprestar um jogo para amigos;
- Revender jogos usados;
- Montar coleções;
- Escolher onde comprar;
- Aproveitar promoções entre diferentes lojas.
A empresa também alertou para o risco de uma concentração ainda maior das vendas nas lojas digitais oficiais das fabricantes.
"Não vamos ficar parados"
A rede destacou que trabalha com mídia física há cerca de 40 anos e considera esse formato parte importante da história dos videogames.
"Não vamos ficar parados."
Segundo a empresa, colecionar jogos físicos vai muito além de guardar uma caixa na estante.
São edições especiais, memórias, preservação da história dos videogames e, principalmente, liberdade de escolha para o consumidor.
A GAME promete continuar apoiando a mídia física
Mesmo reconhecendo que o mercado digital continuará crescendo, a varejista afirma que isso não significa abandonar completamente os discos.
Pelo contrário.
Segundo a empresa, os dois formatos conseguem coexistir perfeitamente, algo que vem acontecendo há anos.
"O futuro não deveria ser construído eliminando opções, mas ampliando-as."
A GAME encerra o comunicado dizendo que continuará apoiando editoras e empresas que mantiverem lançamentos físicos e promete dar voz à comunidade que ainda valoriza esse formato.
Uma ironia curiosa
Existe até uma certa ironia nessa história.
Anos atrás, durante uma grande reestruturação corporativa, a própria empresa passou a se chamar GAME Digital, investindo fortemente em cartões digitais, vendas online, aplicativos e novos dispositivos eletrônicos.
Posteriormente, voltou a utilizar apenas o nome GAME.
Mesmo tendo ampliado sua atuação no mercado digital, a rede nunca abandonou completamente a venda de jogos físicos e, durante muitos anos, foi uma das principais referências para compra e venda de jogos usados no Reino Unido.
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Sinceramente? Essa discussão já deixou de ser sobre "disco versus digital".
Hoje ela gira em torno de escolha.
Ninguém está dizendo que o digital deve acabar. Ele trouxe inúmeras facilidades e conquistou milhões de jogadores. O problema começa quando uma empresa decide que um formato inteiro simplesmente deixará de existir.
A fala da GAME resume bem esse sentimento. O físico e o digital conviveram lado a lado por décadas sem grandes problemas. Quando um deles desaparece por decisão unilateral, o jogador perde opções, o mercado perde concorrência e a preservação dos jogos fica ainda mais dependente das decisões das plataformas.
Independentemente do lado em que cada jogador esteja, uma coisa é certa: dificilmente esse será o fim do debate. Pelo contrário. Parece ser apenas o começo.
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