
Sério... eu passei boa parte do começo procurando na internet para saber se esse anime realmente existia. Porque simplesmente não é possível. Tem abertura. Tem encerramento. Tem prévia do próximo episódio. Tem comerciais de brinquedo.

Tem propaganda de shampoo. Tem aqueles intervalos típicos dos animes antigos. Tem chefes apresentados como se fossem os grandes vilões de uma série de TV... tudo igualzinho aqueles desenhos que a gente via sábado de manhã.
Aí vem o soco no estômago: esse anime nunca existiu! Foi tudo criado do zero pro jogo. Quando eu descobri isso, o GEPPY-X deixou de ser "só mais um jogo" e virou uma coisa totalmente diferente pra mim.
Um anime que nasceu dentro de um videogame
Lançado originalmente em 1999 para o primeiro PlayStation e preso ao Japão por mais de duas décadas, 70's-Style Robot Anime GEPPY-X finalmente chega ao Ocidente em uma remasterização que faz justiça ao carinho absurdo colocado aqui.

Logo na abertura aparece uma dedicatória:
"Para todos os garotos que cresceram nos anos 70..."
Pronto. Ali eu já sabia que quem fez esse jogo não queria apenas criar um bom jogo de nave. Queria prestar homenagem a uma geração inteira que cresceu sonhando com robôs gigantes.

As inspirações em Go Nagai, Ken Ishikawa, Mazinger Z, Grendizer e, principalmente, Getter Robo aparecem o tempo todo. Mas nunca passam a sensação de cópia. Pelo contrário. Tudo transmite aquele sentimento de respeito por obras que ajudaram a formar milhares de fãs.

É daqueles projetos em que você percebe rapidamente que foi desenvolvido por gente apaixonada por esse universo. O respeito pelos animes clássicos aparece em cada detalhe.
Gameplay clássico, mas cheio de personalidade
No controle, GEPPY-X segue a cartilha dos shooters laterais clássicos. Você pilota um robô transformável, alternando entre três formas conforme a situação exige. A jogabilidade continua divertida até hoje, os comandos respondem direitinho e os chefes são bem divertidos. Não é o jogo mais profundo do mundo, mas cumpre com louvor o que promete.

Porque esse não é um jogo que tenta reinventar o gênero, nem precisa disso. O curioso é que, por melhor que o gameplay seja, ele acaba ficando em segundo plano.
Porque toda vez que uma fase termina...
Você só quer assistir ao próximo episódio.
A verdadeira estrela é o "anime"
Os chefes entram com apresentações dignas de desenho japonês. As cenas entre as fases parecem episódios completos. Os comerciais falsos são simplesmente maravilhosos.


E essa sensação é difícil de explicar.
O jogo consegue despertar uma nostalgia por uma lembrança que, tecnicamente, nunca existiu.
Uma remasterização feita com carinho
O trabalho da City Connection merece muitos elogios. Mais de 8 mil quadros foram restaurados a partir das fitas Betacam originais, devolvendo às animações os 24 quadros por segundo. Além disso, o pacote inclui recursos modernos como rewind, save states, filtros CRT e outras opções de qualidade de vida que tornam essa a melhor forma de conhecer o jogo. Resumindo, tudo que a gente gosta de ver numa versão nova de um clássico.

É exatamente esse tipo de remasterização que preserva a obra original sem deixar de oferecer as facilidades que o jogador atual espera.
Vale a pena?
Agora, sendo bem jogador aqui: se você procura apenas um shooter extremamente profundo, talvez GEPPY-X não seja o mais complexo do gênero. A mecânica funciona muito bem, mas claramente não tenta disputar espaço com os bullet hells modernos focados apenas em dificuldade e precisão.

Mas vamos combinar uma coisa? Esse nunca foi o objetivo dos caras.
GEPPY-X quer fazer você entrar naquele clima gostoso de sentar na frente da televisão para acompanhar mais um episódio do seu anime favorito.
E comigo conseguiu.
Eu baixei a demo esperando encontrar um shooter curioso.
Terminei querendo pegar o jogo na mesma hora.
Considerações
No fim das contas, 70's-Style Robot Anime GEPPY-X é muito mais do que um relançamento. É uma carta de amor gigantesca criada por pessoas apaixonadas pelos animes de robôs dos anos 70 e 80.
É um anime que nunca passou na televisão... Mas que, de alguma forma, desperta exatamente a mesma nostalgia daqueles clássicos que marcaram uma geração. E talvez esse seja o maior elogio que eu possa fazer.

Porque poucos jogos conseguem convencer você de que uma lembrança que nunca existiu... sempre fez parte da sua infância.
Daquela época em que tudo o que importava era ligar a televisão e escolher entre a Manchete e a TV Globinho.
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