Xbox passa por nova onda de demissões e funcionários descrevem cenário como "o começo do colapso" !!

A mais recente rodada de demissões da Microsoft continua revelando bastidores preocupantes dentro da divisão Xbox. Segundo um extenso relatório publicado pelo Game Developer, funcionários afetados afirmam que o ambiente após os cortes é de insegurança total, perda de conhecimento técnico e medo sobre o futuro dos estúdios.

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Ao todo, cerca de 3.200 funcionários devem deixar a divisão Xbox até o fim do atual ano fiscal, naquela que já é a quinta grande rodada de demissões desde 2023.

Reuniões de menos de um minuto e microfones desligados

Os relatos descrevem um processo frio e extremamente impessoal.

Em diversos estúdios, como Bethesda, ZeniMax Online e id Software, os funcionários foram chamados para reuniões virtuais em que:

  • microfones permaneceram desativados;
  • o chat foi bloqueado;
  • em alguns casos, as câmeras também foram desligadas automaticamente;
  • não houve espaço para perguntas.

Segundo uma das fontes, a reunião na id Software durou menos de 60 segundos.

Em outro relato, funcionários receberam o convite para participar da chamada cerca de dez minutos antes do início. Alguns sequer conseguiram entrar a tempo.

Após as demissões, o acesso ao Slack e aos e-mails corporativos começou a ser removido em até 48 horas, dificultando inclusive que os profissionais buscassem informações sobre benefícios ou desligamento.

Funcionários criticam comunicação da Microsoft

Outro ponto bastante criticado foi a forma como a empresa conduziu todo o processo.

Segundo diversas fontes, nem mesmo representantes sindicais haviam sido avisados previamente, apesar dos rumores sobre uma nova reestruturação circularem desde junho.

"Durante semanas ninguém sabia exatamente o que estava acontecendo. Ficamos apenas especulando e vivendo na ansiedade", relatou um funcionário.

Outro ex-colaborador foi ainda mais duro.

"A Microsoft parece fazer questão de tornar tudo o mais doloroso possível."

A insegurança continua mesmo para quem ficou

O anúncio também deixou um clima de apreensão entre os profissionais que permaneceram na empresa.

Isso porque a Microsoft confirmou que aproximadamente metade das demissões acontece agora, enquanto outra parte será realizada até o encerramento do atual ano fiscal.

Segundo um funcionário da Bethesda:

"Como alguém consegue trabalhar tranquilo sabendo que mais 1.600 cortes ainda vão acontecer?"

A dúvida levantada por muitos é simples: mesmo quem sobreviveu à primeira leva realmente está seguro?

Conhecimento perdido pode afetar grandes franquias

Vários desenvolvedores afirmam que o maior prejuízo talvez nem seja a redução das equipes, mas sim a perda de décadas de experiência acumulada.

Segundo um funcionário da Bethesda:

"O conhecimento institucional que foi perdido é gigantesco."

Isso preocupa ainda mais porque a própria Microsoft declarou recentemente que pretende concentrar seus investimentos em franquias como:

  • Fallout;
  • The Elder Scrolls;
  • Halo;
  • DOOM.

Para quem trabalha nos estúdios, reduzir justamente as equipes responsáveis por essas franquias parece contraditório.

Situação da id Software preocupa funcionários

Embora a id Software tenha divulgado um comunicado dizendo que ainda possui profissionais suficientes para continuar desenvolvendo seus jogos e sua tecnologia, alguns ex-funcionários discordam dessa avaliação.

Segundo um dos relatos:

  • boa parte da equipe responsável pela expansão Revelations, de DOOM: The Dark Ages, foi desligada;
  • diversos profissionais ligados ao desenvolvimento da engine id Tech também deixaram o estúdio.

O desenvolvedor foi direto:

"Não consigo imaginar um caminho em que eles continuem produzindo novos jogos usando a id Tech."

A Microsoft respondeu anteriormente que informações sobre a engine ter sido reduzida a apenas uma pessoa são falsas e afirmou que dezenas de profissionais continuam trabalhando na tecnologia em diferentes localidades.

Mesmo assim, quem saiu acredita que a perda de especialistas terá impacto significativo nos próximos projetos.

ZeniMax Online também perdeu especialistas

Na ZeniMax Online, responsável por The Elder Scrolls Online, o cenário também preocupa.

Segundo funcionários, muitos dos profissionais desligados eram especialistas responsáveis pela implementação direta de conteúdo.

Agora, quem permaneceu deverá acumular diferentes funções.

Um desenvolvedor resumiu a situação com uma metáfora bastante forte:

"É como pegar um tecido e arrancar metade dos fios. Em algum momento ele simplesmente vai desmanchar."

Segundo ele, não existe quantidade de terceirizados capaz de substituir rapidamente profissionais treinados durante anos em uma engine proprietária.

Nem o sucesso garante estabilidade

Talvez um dos trechos mais impactantes do relatório seja a percepção compartilhada por vários funcionários: entregar um jogo bem-sucedido já não significa segurança dentro da empresa.

A id Software comemorou, há pouco tempo, que DOOM: The Dark Ages havia registrado o maior lançamento da história do estúdio, ultrapassando 3 milhões de jogadores.

Ainda assim, poucos meses depois, centenas de profissionais perderam seus empregos.

Um desenvolvedor resumiu o sentimento:

"Parece que fazer um bom jogo não muda absolutamente nada para manter seu emprego."

Outro problema citado é que muitos funcionários sequer sabiam quais eram exatamente as metas utilizadas pela Microsoft para avaliar o sucesso dos projetos.

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Independentemente da discussão sobre cortes de custos ou reestruturação, existe um aspecto difícil de ignorar: videogames são feitos por pessoas.

Quando um estúdio perde dezenas, ou até centenas, de profissionais experientes de uma só vez, não desaparecem apenas cargos na folha de pagamento. Vai embora conhecimento acumulado durante anos, ferramentas criadas internamente, soluções para problemas que nem sempre estão documentadas e uma cultura de desenvolvimento que leva muito tempo para ser construída.

O mais curioso é que a Microsoft afirma querer fortalecer justamente suas maiores franquias, como Fallout, DOOM, Halo e The Elder Scrolls. A dúvida levantada por muitos dos próprios desenvolvedores é inevitável: será que é possível acelerar esses projetos reduzindo justamente as equipes que os construíram?

Só o tempo dirá qual será o verdadeiro impacto dessa reestruturação. Mas, pelos relatos que continuam surgindo, a sensação dentro dos estúdios está longe de transmitir confiança sobre o futuro.

Fonte 

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