Estúdio da Rovio em Copenhague será fechado após cancelamento de Sonic Blitz !!

Projeto mobile da Sega e Rovio não conseguiu manter os jogadores engajados e deixa cerca de 20 profissionais afetados pelo encerramento

A situação da Rovio continua complicada. Depois do cancelamento de Sonic Blitz, a Sega confirmou agora o fechamento do estúdio da Rovio em Copenhague, na Dinamarca, responsável pelo desenvolvimento do projeto. Parte dos funcionários poderá ser realocada para outros projetos da Rovio, enquanto outros deverão deixar a empresa.

Sonic Blitz misturava corrida e coleção de cartas em uma proposta que tentava levar o ouriço azul para o universo dos jogos mobile de uma maneira diferente. Durante as partidas, os jogadores percorriam fases coletando anéis e, posteriormente, participavam de batalhas táticas em equipes utilizando os personagens e cartas adquiridos.

O jogo chegou a receber um soft launch no Brasil e nas Filipinas em junho de 2025, mas a Rovio retirou a versão das lojas em fevereiro de 2026 para trabalhar novamente no projeto. Na semana passada, veio a confirmação de que o desenvolvimento havia sido encerrado definitivamente. Desde 24 de agosto, Sonic Blitz deixou de funcionar completamente para quem ainda tinha o jogo instalado.

Agora, o fechamento do estúdio de Copenhague é o próximo capítulo dessa história.

Cerca de 20 pessoas trabalhavam em Sonic Blitz

Em declaração ao Mobilegamer.biz, a Rovio confirmou que está encerrando todas as suas operações na Dinamarca após um processo de demissões. A empresa ainda não revelou o número exato de funcionários que serão desligados, já que o processo ainda está em andamento.

Ao todo, aproximadamente 20 profissionais trabalharam em Sonic Blitz.

A Rovio afirma que os funcionários que não puderem ser transferidos para outros projetos receberão um pacote de transição com serviços de recolocação profissional e suporte de bem-estar para ajudá-los na busca por novas oportunidades.

É uma situação particularmente complicada porque o cancelamento de um projeto não significa apenas o fim de um jogo. Existe toda uma equipe por trás dele, e nesse caso estamos falando de um estúdio inteiro que deixa de existir.

O problema estava na retenção dos jogadores

Segundo Alex Pelletier-Normand, COO da Sega West e CEO da Rovio, a ideia por trás de Sonic Blitz parecia bastante promissora no papel.

A proposta de combinar o universo de Sonic com cartas colecionáveis tinha como objetivo oferecer algo diferente aos fãs. As cartas, por exemplo, apresentavam informações sobre os personagens e sua história dentro da franquia.

O problema apareceu quando o jogo precisou transformar essa boa ideia em engajamento real dos jogadores.

Pelletier-Normand explicou que a retenção não apresentou resultados suficientemente bons. E no mercado mobile, esse é um dos primeiros sinais de que alguma coisa não está funcionando. Não basta conseguir fazer o jogador baixar o jogo. É preciso fazer com que ele volte no dia seguinte, depois na semana seguinte e continue jogando por bastante tempo.

Segundo o executivo, essa foi justamente a barreira que Sonic Blitz não conseguiu superar.

Ele ainda afirmou que continua acreditando que existe espaço para um jogo de Sonic bem-sucedido no mercado mobile, mas reconheceu que alcançar esse público é muito mais complicado do que Sega e Rovio imaginavam.

No fim das contas, a conclusão foi simples: o jogo não funcionou.

A aquisição da Rovio começa a pesar para a Sega

O encerramento do estúdio também acontece em um momento delicado para a relação entre Sega e Rovio.

A Sega comprou a desenvolvedora de Angry Birds em agosto de 2023 por aproximadamente €706 milhões, com a expectativa de fortalecer sua presença no mercado mobile e ampliar seu portfólio de jogos como serviço.

O desempenho, entretanto, ficou abaixo do esperado.

Em novembro de 2025, a Sega já havia apontado que os principais jogos da Rovio estavam apresentando uma queda contínua desde a aquisição. Em fevereiro deste ano, a companhia reconheceu aproximadamente ¥31,3 bilhões, cerca de €169 milhões, em perdas por redução de valor relacionadas ao goodwill e outros ativos intangíveis da Rovio.

Em maio, a Sega voltou a afirmar que o desempenho da Rovio permanecia fraco, citando novamente títulos que estavam abaixo das expectativas.

E os planos apresentados pela empresa em junho deixaram claro que a palavra de ordem passou a ser rentabilidade. Entre as medidas estavam uma concentração maior em Angry Birds e Sonic, além de iniciativas para melhorar o desempenho de Angry Birds 2 e ampliar a exploração dessas propriedades em outras mídias.

Ao mesmo tempo, a Sega anunciou medidas de redução de custos envolvendo os estúdios de desenvolvimento e áreas administrativas.

O fechamento de Copenhague acaba sendo, portanto, mais do que uma consequência isolada do cancelamento de Sonic Blitz. Ele se encaixa em uma estratégia maior da Sega para tentar fazer a aquisição da Rovio finalmente entregar o retorno que a empresa esperava quando colocou €706 milhões na mesa.

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Essa história é um daqueles lembretes incômodos de como o mercado mobile pode ser brutal. Você pode ter uma franquia gigantesca como Sonic, uma empresa especializada em mobile como a Rovio e uma ideia que parece interessante no papel. Ainda assim, se os jogadores não ficam, o projeto simplesmente não sobrevive.

E aqui existe uma ironia pesada: a Sega comprou a casa de Angry Birds justamente para ganhar força no mobile. Três anos depois, um projeto de Sonic não consegue decolar e um dos estúdios da própria Rovio acaba fechando.

No fim, Sonic Blitz virou mais um exemplo de que, no mobile, baixar é fácil. Fazer o jogador voltar é a verdadeira corrida.

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