A Nintendo continua apertando o cerco contra a emulação do Switch e realizou mais uma rodada de notificações DMCA contra projetos hospedados no GitHub. Desta vez, 401 repositórios foram removidos, incluindo centenas de versões e derivados de emuladores do console.

A ofensiva mais recente acontece depois de uma longa batalha iniciada com o processo contra o Yuzu. Em maio de 2024, uma única solicitação da Nintendo levou o GitHub a remover nada menos que 8.535 repositórios relacionados ao famoso emulador. O episódio praticamente encerrou a trajetória do projeto e teve consequências enormes para toda a comunidade de emulação do Switch.
Em fevereiro deste ano, a Nintendo voltou ao GitHub para pedir a remoção de repositórios que ainda continham o Yuzu e também de projetos relacionados a pelo menos outros 12 emuladores.
Agora, segundo informações do TorrentFreak, a empresa apresentou sete novas notificações DMCA, resultando na remoção de outros 401 repositórios em um único movimento.
Suyu foi o principal alvo da nova rodada
Entre os projetos atingidos, o maior destaque é o Suyu, um dos principais sucessores surgidos depois do fim do Yuzu. Dos 401 repositórios removidos, 311 continham versões ou derivados do Suyu.
Também foram atingidos projetos como o Skyline, conhecido por seu desenvolvimento para Android, o MonoNX, baseado em C#, além de diversos forks que tinham como ponto de partida o próprio Yuzu.
Quem tentar acessar os repositórios afetados agora encontra uma página informando que o conteúdo foi removido devido a uma reclamação de direitos autorais, acompanhada da respectiva notificação enviada pela Nintendo.
E a justificativa apresentada pela empresa é bastante direta.
Nintendo afirma que emuladores violam suas proteções
Na documentação enviada ao GitHub, a Nintendo argumenta que os emuladores são desenvolvidos principalmente para executar jogos do Switch e que, para isso, contornam mecanismos tecnológicos utilizados para proteger os títulos contra acesso e cópia não autorizados.
A empresa também afirma que os jogos do Switch utilizam chaves criptográficas proprietárias, conhecidas como prod.keys, para impedir acessos não autorizados. Segundo a Nintendo, os emuladores envolvidos nas denúncias utilizariam cópias dessas chaves para descriptografar jogos e ROMs durante sua execução.
Com base nisso, a companhia considera que a distribuição desses programas configura uma forma ilegal de distribuição de tecnologia criada para contornar medidas de proteção de obras protegidas por direitos autorais.
É importante lembrar, porém, que a existência de um emulador não significa automaticamente que ele seja usado para pirataria. Emulação e distribuição ilegal de jogos são questões diferentes. O problema jurídico que a Nintendo vem atacando envolve principalmente a forma como determinados emuladores contornam suas proteções e o ecossistema de chaves, ROMs e cópias não autorizadas associado a eles.
A batalha contra o Yuzu mudou tudo
A estratégia agressiva da Nintendo ganhou força definitiva em 2024, quando a empresa processou a Tropic Haze, responsável pelo Yuzu.
Na época, a Nintendo alegou que The Legend of Zelda: Tears of the Kingdom havia sido pirateado mais de um milhão de vezes antes de seu lançamento, acusando o Yuzu de facilitar pirataria em escala gigantesca.
O processo terminou rapidamente. A Tropic Haze concordou em encerrar a disputa e pagar US$ 2,4 milhões em indenização, além de interromper o desenvolvimento e a distribuição do Yuzu.
Desde então, a Nintendo vem adotando uma estratégia que parece bastante clara: não basta derrubar um emulador famoso. A empresa também quer impedir que seus sucessores, forks e cópias continuem surgindo em outros lugares.
E o GitHub virou um dos principais campos dessa batalha.
Clima SussuWorld
Aqui é onde a discussão fica realmente interessante.
A Nintendo tem todo o direito de combater pirataria e proteger seus jogos. Isso é absolutamente compreensível. O curioso é observar até onde essa guerra vai chegar. O Yuzu caiu, surgiram projetos derivados, esses projetos foram atingidos e agora até repositórios que hospedam forks e versões modificadas estão entrando na mira.
É praticamente uma partida de Whac-A-Mole versão videogame. Derruba um, aparecem outros dois.
Ao mesmo tempo, existe uma diferença importante entre combater quem distribui jogos ilegalmente e tentar eliminar toda e qualquer tecnologia de emulação. Emulação, por si só, não é sinônimo de pirataria. Ela também possui aplicações legítimas, como preservação histórica e execução de software que já não possui suporte oficial.
O problema é que, no caso do Switch, a Nintendo claramente não está interessada em deixar essa fronteira ficar cinzenta. Depois do caso Yuzu, a mensagem parece ser: se o projeto estiver envolvido com mecanismos usados para contornar as proteções do console, a empresa vai atrás.
E pelo que estamos vendo agora, a caça está longe de terminar.
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