A inteligência artificial está chegando a mais uma área dos videogames, e dessa vez ela está entrando diretamente na cabine de narração. John Bucigross, novo narrador de EA Sports NHL 27, revelou que a Electronic Arts já está utilizando IA para gerar algumas falas com sua voz.
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E o mais curioso é que Bucigross não parece exatamente preocupado com a tecnologia tomando seu lugar. Pelo contrário.
“Se for menos trabalho e o mesmo pagamento, eu aceito.”
É difícil argumentar contra essa lógica. 😂
Narrar NHL 27 é muito mais trabalhoso do que parece
Bucigross, que trabalha como apresentador da ESPN há cerca de 30 anos, assumirá a narração de NHL 27 ao lado de Darren Pang, comentarista do Chicago Blackhawks.
A dupla substitui James Cybulski e Cheryl Pounder, que formavam a equipe de transmissão do jogo anterior.
O problema é que gravar comentários para um jogo esportivo está longe de ser simplesmente entrar em um estúdio, narrar algumas partidas e ir embora.
Segundo Bucigross, o processo é extremamente repetitivo.
É necessário gravar o nome de praticamente todos os jogadores da liga, muitas vezes em diferentes situações e entonações. Depois vêm as incontáveis combinações possíveis de contexto.
Um time está vencendo por dois gols?
Faceoff na zona ofensiva?
Segundo período?
Jogador acabou de marcar?
A equipe está pressionando?
Cada uma dessas situações precisa ter diversas falas diferentes para evitar que a narração pareça um disco riscado.
E se o narrador errar uma frase?
Grava de novo.
E de novo.
E de novo.
Bucigross resumiu o processo dizendo que ler nomes pode fazer o dia inteiro, mas criar todas essas pequenas variações de comentários é a parte realmente cansativa.
IA começa a assumir parte do trabalho
Como os jogos esportivos continuam mudando mesmo depois do lançamento, o trabalho também não termina quando o jogo chega às lojas.
Jogadores são negociados, escalações mudam, situações novas precisam ser adicionadas e a equipe já começa a trabalhar no próximo título enquanto o atual ainda está sendo lançado.
Bucigross revelou que EA já apresentou a ele exemplos de falas geradas por IA utilizando uma reprodução de sua própria voz.
E a reação dele foi bastante positiva.
“Se for menos trabalho e o mesmo pagamento, eu aceito.”
A tecnologia, nesse caso, está sendo usada para aliviar justamente a parte mais repetitiva do trabalho.
Mas existe uma condição importante: a IA ainda precisa ser supervisionada pelo próprio narrador.
Até a IA precisa aprender o vocabulário do esporte
Bucigross contou uma situação curiosa durante o processo de revisão das falas geradas artificialmente.
Em determinado momento, a IA produziu uma frase dizendo que “a torcida se levantou das cadeiras”.
O problema?
No vocabulário usado no hóquei, aquilo deveria ser chamado de “seats”, e não “chairs”.
Parece uma diferença insignificante, mas para quem trabalha com transmissão esportiva, essas pequenas escolhas de palavras fazem diferença.
Bucigross explicou que a equipe precisa ouvir as falas geradas pela IA e corrigir esse tipo de problema manualmente.
E existem situações ainda mais importantes.
A inteligência artificial também precisa entender corretamente a forma como os placares são narrados, por exemplo. Se uma equipe perdeu por 6 a 4, não faz sentido narrar simplesmente “quatro a seis” como se fosse uma sequência matemática qualquer.
Esses detalhes fazem parte da linguagem natural de uma transmissão esportiva.
A expectativa é que o sistema possa aprender essas regras e melhorar com o tempo.
EA diz que IA não está sendo usada para substituir os narradores
A utilização de IA por parte da EA não é exatamente novidade.
No início deste ano, Guy Mowbray, narrador de EA Sports FC, também revelou que autorizou a EA a utilizar uma reprodução artificial de sua voz para algumas falas do jogo.
E o motivo é praticamente o mesmo.
EA Sports FC possui mais de 20 mil jogadores, e o narrador precisa gravar nomes em diferentes situações e entonações. Não basta simplesmente dizer o nome de cada atleta uma vez.
A EA afirmou anteriormente que a inteligência artificial já faz parte de diferentes áreas de seu processo de desenvolvimento, mas ressaltou que, no caso de narração e conteúdo, a tecnologia funciona em colaboração com os profissionais envolvidos, e não como substituição.
E existe uma razão bastante clara para isso.
Algumas falas mais longas precisam soar como algo que aquele narrador realmente diria.
Guy Mowbray explicou que determinadas situações precisam de várias maneiras diferentes de descrever exatamente o mesmo acontecimento, mas mantendo seu estilo pessoal de narração.
É justamente aí que a voz humana ainda entra com força.
O futuro da narração nos jogos esportivos?
O caso de NHL 27 mostra uma direção que provavelmente veremos cada vez mais nos games esportivos.
A quantidade de conteúdo necessária para manter uma narração natural é gigantesca. E, quando uma franquia recebe atualizações constantes, novos jogadores e novas situações, obrigar os narradores a gravar manualmente absolutamente tudo se torna um trabalho monumental.
A IA pode assumir parte desse volume, enquanto o narrador continua responsável por dar personalidade, revisar o conteúdo e definir como determinadas situações devem soar.
No caso de Bucigross, parece que ele enxergou justamente o lado mais interessante da tecnologia:
menos horas repetindo frases em um estúdio e mais tempo fazendo o trabalho que realmente exige sua presença.
Clima SussuWorld
RAPAZ... essa é uma das poucas notícias sobre IA nos games em que o próprio profissional parece estar comemorando. 😂
E eu até entendo.
Imagina ter que gravar o nome de uma liga inteira.
Depois gravar o mesmo nome em três entonações.
Depois imaginar:
“Time está ganhando por dois, segundo período, faceoff na zona ofensiva.”
Aí você inventa uma frase.
Erra.
Grava novamente.
Depois alguém fala:
“Precisamos de mais oito variações.”
MEU AMIGO...
Daqui a pouco o narrador está pedindo férias antes mesmo do jogo sair.
Nesse cenário, usar IA para reproduzir a voz com autorização do profissional e cuidar das partes mais repetitivas parece bastante razoável. O ponto fundamental é justamente o que Bucigross e a EA destacaram: a tecnologia precisa continuar sendo supervisionada por quem entende da linguagem e da transmissão esportiva.
Se esse modelo continuar evoluindo, talvez este seja um daqueles casos em que a IA não precisa necessariamente tirar o trabalho de alguém.
Pode simplesmente impedir que uma pessoa tenha que gravar a mesma frase pela 73ª vez.
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