A história de Final Fantasy VII começou no PlayStation em 1997 e, quase três décadas depois, está longe de terminar. O que nasceu como um dos maiores RPGs da geração 32-bit se transformou em um universo próprio, com spin-offs, filmes, animações e agora uma trilogia que está reconstruindo completamente a aventura original.

E, segundo Naoki Hamaguchi, diretor da trilogia Remake, a intenção da Square Enix não é simplesmente revisitar a nostalgia. A ideia é fazer com que Final Fantasy VII continue relevante e evoluindo para as próximas gerações.
Não é apenas um remake para quem jogou em 1997
Durante o painel “From Reunion to Resolve”, realizado na PAX West, Hamaguchi falou sobre o legado de Final Fantasy VII e sobre aquilo que a equipe pretende deixar para o futuro.
Segundo o diretor, a ambição da trilogia sempre foi maior do que simplesmente reproduzir o clássico do PlayStation.
“Queremos fazer desta uma obra que crie novos fãs daqui a 20 ou até 30 anos.”
É uma declaração que explica bastante a abordagem adotada pela Square Enix.
Em vez de construir os três jogos apenas como uma homenagem ao original, a equipe quer transformar Final Fantasy VII em uma experiência capaz de funcionar também para quem nunca jogou o clássico de 1997.
E isso muda completamente a perspectiva.
Para quem viveu a primeira aventura de Cloud, Aerith, Tifa e companhia, existe toda uma camada de memória afetiva envolvida. Para uma geração que nasceu muito depois do lançamento original, porém, Final Fantasy VII precisa funcionar como uma experiência nova.
De clássico do passado a universo próprio
A Square Enix parece enxergar a trilogia justamente como uma ponte entre essas duas gerações.
O material promocional apresentado junto ao painel reforça que o projeto busca expandir o futuro de Final Fantasy VII, levando o jogo de um clássico histórico para uma propriedade intelectual com capacidade de continuar evoluindo.
E talvez esse seja um dos aspectos mais interessantes de toda essa empreitada.
Final Fantasy VII deixou de ser apenas aquele RPG lançado em 1997. Hoje existe toda uma mitologia ao redor dos personagens, organizações, eventos e conceitos apresentados originalmente, e a trilogia está aproveitando esse espaço para reinterpretar e ampliar esse universo.
Final Fantasy VII Remake já mostrou isso ao transformar Midgar em uma experiência muito mais extensa. Rebirth abriu ainda mais o mundo e expandiu personagens, relações e acontecimentos. Agora, Revelation terá a responsabilidade de fechar essa nova versão da história.
Mas, para Hamaguchi, o encerramento da trilogia não precisa significar o encerramento do universo.
A nostalgia é o começo, não o destino
Existe uma diferença importante entre fazer um produto baseado em nostalgia e usar a nostalgia como ponto de partida.
A primeira opção tenta fazer o jogador lembrar de 1997.
A segunda pergunta o que pode ser feito com aquilo em 2027, 2037 ou até 2047.
Pelas palavras de Hamaguchi, é claramente a segunda opção que interessa à equipe.
A intenção é que alguém que tenha jogado a trilogia daqui a 20 ou 30 anos possa olhar para Final Fantasy VII da mesma maneira que muitos jogadores atuais olham para o original.
Isso significa que a Square Enix não quer que o remake seja lembrado simplesmente como “aquele projeto que refez o jogo do PS1”.
A ambição é fazer com que essa nova interpretação se torne parte permanente da identidade de Final Fantasy VII.
E olhando para a dimensão que o projeto ganhou, não é difícil entender o raciocínio.
Revelation será o grande teste
Agora toda essa filosofia vai encontrar seu maior desafio.
Final Fantasy VII Revelation será lançado em 8 de abril de 2027, encerrando a trilogia iniciada em 2020.
O jogo promete levar Cloud e companhia para uma escala ainda maior, com exploração aberta, retorno de personagens importantes e novas possibilidades de gameplay. Também haverá conteúdo adicional planejado para depois do lançamento, incluindo histórias focadas em Sephiroth e Vincent e os Turks.
Ou seja, mesmo antes de chegar ao fim, a nova versão de Final Fantasy VII já está sendo construída como algo maior do que simplesmente três jogos.
E talvez seja justamente esse o legado que Hamaguchi esteja tentando construir.
Não substituir o Final Fantasy VII de 1997.
Criar um novo Final Fantasy VII capaz de sobreviver por outras três décadas.
Clima SussuWorld
Essa frase do Hamaguchi é daquelas que fazem a gente parar um pouco para pensar.
Porque Final Fantasy VII já conseguiu sobreviver por quase 30 anos. O desafio agora é saber se essa nova versão vai conseguir fazer a mesma coisa.
Quem jogou o original em 1997 vai carregar para sempre aquela lembrança do primeiro encontro com Midgar, Cloud, Sephiroth e companhia.
Mas daqui a 20 anos, talvez exista uma geração que tenha vivido tudo isso pela primeira vez através da trilogia Remake.
E aí o projeto terá conseguido exatamente aquilo que a Square Enix parece querer: não apenas refazer um clássico, mas criar outro clássico.
Agora falta só a última peça desse quebra-cabeça.
8 de abril de 2027.
Que venha Revelation. ⚔️
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