A possibilidade de The Witcher 4 não receber uma versão física em disco no PlayStation 5 começou a gerar reclamações entre jogadores. Só que existe um detalhe bastante importante nessa história: a decisão não está nas mãos da CD Projekt Red.

A informação surgiu após declarações de Michal Nowakowski, co-CEO da CD Projekt Red, que explicou que a empresa simplesmente não tem controle sobre a política de fabricação de discos da PlayStation.
E, olhando para o calendário, fica fácil entender o motivo.
The Witcher 4 pode chegar depois do fim dos discos no PlayStation
Em entrevista repercutida pelo The Game Business, Nowakowski foi questionado justamente sobre a possibilidade de The Witcher 4 chegar ao PS5 em mídia física.
A resposta foi bastante direta.
Segundo o executivo, a CD Projekt Red não sabe exatamente qual será a situação no momento do lançamento, mas conhece a política anunciada pela Sony. E, caso a fabricante realmente encerre a produção de discos em 2028, a consequência será simples: The Witcher 4 não terá um disco físico tradicional no PS5.
O motivo é que os discos dos jogos de PlayStation precisam ser produzidos nas próprias instalações da Sony. Portanto, mesmo que a CD Projekt queira colocar um disco na caixa, não é simplesmente uma questão de procurar outra fábrica e mandar fabricar algumas centenas de milhares de unidades.
A CD Projekt Red não controla essa parte da cadeia.
E existe outro detalhe importante: The Witcher 4 ainda não tem uma data de lançamento definida, mas a própria empresa já deixou claro que o jogo não chegará antes de 2027. Portanto, caso a Sony realmente mantenha o plano de interromper a fabricação de discos para novos jogos a partir de janeiro de 2028, existe uma possibilidade bastante concreta de o novo RPG da CDPR cair justamente do outro lado dessa linha.
“Mas a CDPR não pode pressionar a Sony?”
É aqui que a discussão nas redes sociais ficou curiosa.
Alguns jogadores começaram a criticar diretamente a CD Projekt Red, dizendo que não comprariam The Witcher 4 caso ele não tivesse uma versão física.
Até aí, tudo certo. O consumidor tem todo o direito de decidir onde e como quer gastar seu dinheiro.
O problema é atribuir à CDPR uma decisão que ela não controla.
Alguns comentários chegaram a sugerir que a empresa deveria simplesmente dizer à Sony que não lançaria The Witcher 4 no PlayStation caso não fosse permitido fabricar discos.
Só que isso não funciona dessa maneira.
O fato de a CD Projekt Red ser uma das maiores desenvolvedoras da indústria e de The Witcher 3 ter alcançado números gigantescos não significa que ela possa determinar a política de fabricação de mídia física de uma plataforma.
A Sony controla sua cadeia de produção de discos para PlayStation. Se a empresa decidir encerrar essa fabricação, o poder de decisão está essencialmente do lado dela.
É uma situação bem diferente de um estúdio escolher voluntariamente lançar seu jogo apenas digitalmente.
A CDPR ainda pode apostar no colecionador
Isso não significa necessariamente o fim das edições especiais de The Witcher 4.
A CD Projekt Red tem um histórico bastante forte com produtos físicos e edições de colecionador. A Collector's Edition de The Witcher 3: Wild Hunt, lançada em 2015, é até hoje um daqueles exemplos de edição que fazem o colecionador olhar para a estante e pensar: “isso aqui era outra época.”
Portanto, mesmo em um cenário no qual o jogo não possa mais ser distribuído em um disco tradicional de PS5, ainda existe espaço para a empresa criar edições físicas especiais, itens de colecionador e outros materiais relacionados ao jogo.
A grande questão será o que estará dentro da caixa.
Porque uma bela edição de colecionador sem o jogo físico seria uma experiência bem diferente para quem cresceu comprando RPG em caixa, folheto, mapa e aquele manual que parecia um pequeno livro sagrado.
O problema é maior que The Witcher 4
E talvez esse seja o ponto mais importante dessa história.
Não estamos falando apenas de The Witcher 4.
Se a Sony realmente seguir com o plano anunciado de encerrar a fabricação de discos para novos jogos a partir de janeiro de 2028, todos os grandes lançamentos posteriores para PlayStation estarão diante da mesma situação.
Isso inclui jogos de estúdios enormes e publishers que possuem muito mais poder de negociação do que a maioria das empresas da indústria.
A decisão, portanto, não é uma escolha específica da CD Projekt Red para The Witcher 4. É consequência direta de uma mudança muito maior na estratégia da plataforma.
E é justamente por isso que a reação dos jogadores deveria estar direcionada ao modelo que está sendo adotado pela plataforma, e não ao desenvolvedor que precisa trabalhar dentro dessas regras.
No fim das contas, a CD Projekt Red pode decidir como desenvolver The Witcher 4, como distribuir seu jogo e que tipo de edição especial gostaria de criar.
Mas não pode fabricar um disco de PlayStation que a própria Sony decidiu não fabricar.
Clima SussuWorld 🎮📀
Essa história é um daqueles casos em que a gente precisa separar o “não gostei da decisão” do “quem tomou a decisão?”.
Se a Sony realmente parar de fabricar discos para seus jogos em 2028, The Witcher 4 pode simplesmente ser uma das primeiras grandes vítimas desse novo modelo. E, para quem coleciona jogos físicos, isso é uma notícia bem desagradável.
Agora, cobrar a CDPR por isso é meio como reclamar com o padeiro porque o supermercado decidiu parar de vender pão.
A CD Projekt pode pressionar, negociar, reclamar e tentar encontrar alternativas. Mas se a Sony fechar a torneira da fabricação de discos, não existe uma fábrica secreta de Blu-ray escondida no porão de Varsóvia esperando pelo Geralt.
E essa é justamente a parte que deveria preocupar os jogadores: não é o The Witcher que está ficando sem disco. É o PlayStation que está caminhando para um futuro em que o disco pode deixar de existir.
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