WoW Forever não foi feito para reproduzir a experiência moderna, diz desenvolvedor da Blizzard

World of Warcraft: Forever pretende resgatar uma experiência muito mais próxima do World of Warcraft clássico, e não simplesmente transportar a estrutura atual do MMORPG para uma versão com estética antiga. 

Quem explicou essa filosofia foi Matthew Armstrong, world builder da Blizzard, que afirmou que o projeto está sendo desenvolvido com foco em preservar a sensação do WoW original, mesmo que isso signifique manter algumas das limitações e inconveniências que foram abandonadas ao longo dos anos.

Desde seu anúncio durante a BlizzCon 2026, WoW Forever vem chamando bastante atenção. A primeira beta chegou a enfrentar problemas de capacidade devido ao grande número de jogadores tentando acessar o jogo simultaneamente, mostrando o interesse em torno do retorno à proposta clássica.

Agora, Armstrong explicou para quem o projeto está sendo desenvolvido e por que algumas decisões podem ser bastante diferentes da experiência encontrada no WoW moderno.

“Conveniência é a morte da jornada”

Em uma publicação nas redes sociais, Armstrong fez questão de esclarecer que seus comentários não tinham como objetivo atacar os jogadores do WoW atual. Segundo ele próprio, também é jogador da versão retail.

A questão, de acordo com o desenvolvedor, é que Forever precisa manter uma identidade própria e buscar uma experiência o mais próxima possível do WoW clássico.

Armstrong explicou que passou o último ano reaprendendo técnicas utilizadas décadas atrás justamente para reproduzir uma determinada visão artística, mesmo sabendo que seria muito mais simples utilizar métodos modernos empregados no desenvolvimento da versão retail.

Segundo ele, seria possível seguir o caminho mais conveniente e continuar utilizando técnicas que domina há anos, mas isso não produziria necessariamente o resultado que considera adequado para WoW Forever.

O desenvolvedor também afirmou sentir uma responsabilidade de preservar a visão artística dos profissionais que trabalharam no World of Warcraft original, além de respeitar aquilo que milhões de jogadores associam à identidade do jogo.

Por que manter as “inconveniências”?

A filosofia de Armstrong vai além da aparência visual.

Segundo ele, WoW Forever pretende preservar determinadas fricções e inconveniências que faziam parte da experiência clássica. Isso inclui situações em que o jogador precisa encontrar outras pessoas, formar grupos com desconhecidos e interagir socialmente para conseguir avançar.

Para Armstrong, esses elementos não são simplesmente obstáculos que precisam ser removidos. Eles fazem parte da própria jornada.

O desenvolvedor argumenta que, ao longo dos anos, diversas mudanças facilitaram a possibilidade de jogar sozinho, reduzindo gradualmente algumas das interações sociais que originalmente estavam no centro de World of Warcraft.

É justamente essa característica que Forever pretende recuperar.

“Conveniência é a morte da jornada.”

Essa é uma das frases que Armstrong afirma utilizar como princípio durante o desenvolvimento. Outra de suas ideias é que tentar criar um jogo destinado absolutamente a todos pode acabar fazendo com que ele não tenha uma identidade clara.

O desenvolvedor também afirma que cada mudança realizada em um jogo gera uma espécie de “dívida” com sua autenticidade. Segundo sua visão, essa dívida eventualmente precisa ser paga, especialmente quando alterações aparentemente pequenas começam a desencadear outras mudanças na experiência.

Um WoW diferente do retail

Isso significa que World of Warcraft: Forever não pretende competir diretamente com a versão moderna do MMORPG em termos de conveniência.

O objetivo é justamente oferecer uma experiência diferente.

Armstrong reconhece que muitos jogadores da versão retail provavelmente prefeririam determinadas facilidades modernas, mas afirma que esse não é o público específico que orientou seu trabalho em Forever.

A intenção é reproduzir o máximo possível da sensação do WoW clássico, tanto na apresentação quanto na maneira como os jogadores interagem com o mundo.

Isso também explica por que algumas decisões de design podem parecer estranhas para quem está acostumado ao MMORPG moderno. A ausência de determinadas conveniências não seria necessariamente uma limitação técnica ou falta de interesse em modernizar o jogo, mas uma escolha deliberada para preservar sua identidade.

O objetivo ainda é alcançar novos jogadores

Apesar de toda essa preocupação com autenticidade, Armstrong deixou claro que não gostaria de transformar WoW Forever em um clube fechado para veteranos.

O desenvolvedor espera que o jogo consiga atrair diferentes públicos, incluindo jogadores atuais do WoW retail, fãs do Classic, pessoas que abandonaram o MMORPG há anos e até mesmo quem nunca teve contato com World of Warcraft.

A ideia é que esses jogadores possam descobrir o que tornou a experiência original tão especial, independentemente de já conhecerem ou não o jogo.

Esse equilíbrio será um dos desafios do projeto: recuperar características de uma experiência criada há mais de duas décadas sem transformar Forever em algo completamente inacessível para quem chega agora.

Clima SussuWorld 🧙‍♂️🎮

Eu acho essa discussão muito interessante porque toca em uma coisa que acontece bastante nos videogames: nem toda inconveniência é necessariamente um defeito.

Hoje a indústria passou anos tentando eliminar qualquer atrito possível. Encontrar grupo ficou mais fácil, viajar ficou mais rápido, conseguir equipamento ficou mais simples e muita coisa que antes exigia conversa com outros jogadores passou a acontecer com alguns cliques.

Só que, no processo, algumas dessas dificuldades também eram responsáveis por criar histórias.

Você precisava encontrar gente para fazer uma missão? Tinha que conversar. Precisava atravessar uma área perigosa? Talvez fosse melhor chamar alguém. Encontrou um jogador no meio do caminho? Aquela pessoa podia acabar entrando no seu grupo e, quem sabe, virar seu parceiro de aventura por meses.

É justamente essa parte que Armstrong parece querer recuperar.

E achei importante ele fazer questão de dizer que não está atacando o jogador de retail. Ele próprio joga a versão moderna. A discussão não é “WoW moderno é ruim”, mas sim “Forever precisa ser outra coisa”.

Agora vamos ver se essa filosofia funciona quando milhares de jogadores começarem a experimentar o jogo de verdade. Porque falar que a inconveniência faz parte da jornada é uma coisa. Passar três horas procurando grupo para uma missão é outra. 

Se a Blizzard conseguir recuperar o espírito social do WoW clássico sem transformar cada pequena tarefa em uma peregrinação de quatro dias, pode sair algo bem interessante daqui.

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