Xbox transforma discos físicos em licenças digitais e dá um passo enorme pela preservação dos jogos !!

A Microsoft finalmente colocou em prática uma das iniciativas mais interessantes dos últimos tempos para quem ainda gosta de comprar jogos em mídia física. O programa de disco para licença digital, conhecido anteriormente pelo codinome “Positron”, começou a ser testado pelos Xbox Insiders e, na prática, funciona de maneira muito mais simples do que se imaginava.

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A ideia é permitir que o jogador que possui um disco compatível de Xbox One ou Xbox Series X possa reivindicar uma licença digital daquele jogo, deixando o disco guardado na estante depois disso. E o mais interessante é que não existe aquela pegadinha clássica de precisar colocar o disco novamente no console de tempos em tempos.

Colocou o disco, ganhou a licença

O funcionamento é praticamente cirúrgico. Basta inserir um disco compatível de Xbox One ou Xbox Series X no Xbox Series X, selecionar o jogo no painel e escolher a opção “Claim Digital License”. Também é possível simplesmente iniciar a instalação do jogo pelo disco para que o processo aconteça automaticamente.

Se o título participar do programa, o sistema informa que a licença digital foi desbloqueada. A partir daí, o disco pode voltar para a prateleira e o jogo passa a aparecer na biblioteca digital do jogador, identificado como um título cuja licença foi reivindicada a partir de uma mídia física.

E aqui está uma das partes mais importantes: não existe prazo de validade para essa licença.

A Microsoft confirmou que não é necessário ficar colocando o disco no console para comprovar a propriedade periodicamente. A licença permanece vinculada à conta até que outra pessoa utilize aquele mesmo disco para reivindicar a licença em outra conta.

Isso também cria uma dinâmica interessante para quem costuma vender ou emprestar jogos. Se você vender o disco, por exemplo, o novo proprietário poderá instalá-lo e reivindicar a licença digital. Nesse momento, seus direitos digitais sobre aquele jogo são removidos. Caso você recupere o disco ou compre outro exemplar compatível, poderá reivindicar novamente a licença.

É uma solução simples, mas extremamente inteligente.

Aqui está a parte que realmente importa: preservação

O programa ganha uma importância ainda maior quando pensamos em jogos que já desapareceram das lojas digitais.

Segundo os primeiros testes, até jogos que foram retirados das lojas podem gerar uma licença digital quando o jogador possui o disco físico. Um dos exemplos observados pelos usuários é Deadpool, jogo de Xbox One que não está mais disponível para compra digital.

Isso transforma um disco que poderia estar condenado a depender exclusivamente de hardware antigo em uma espécie de chave para recuperar aquela versão digital no ecossistema atual.

E isso é gigantesco para preservação.

Imagine possuir um jogo que foi lançado anos atrás, comprado legitimamente em mídia física, mas que deixou de ser vendido digitalmente. Enquanto a licença continuar disponível para quem possui o disco, aquele exemplar físico continua tendo uma utilidade muito maior do que simplesmente ocupar espaço na estante.

É justamente aí que a iniciativa da Microsoft começa a parecer muito mais importante do que apenas uma comodidade.

Nem todas as editoras estão participando

Existe, porém, uma pedra considerável no caminho.

Diversas editoras ainda não participam do programa. Entre elas estão nomes como Ubisoft, Sega e Bandai, entre outras. Portanto, não basta possuir qualquer disco de Xbox One ou Xbox Series X para automaticamente receber uma licença digital.

Isso depende da participação da editora e dos acordos de distribuição e licenciamento envolvidos.

Ainda assim, o conceito é poderoso porque cria uma ponte entre a propriedade física que o jogador já possui e o futuro digital que a indústria está empurrando cada vez mais.

E esse momento não poderia ser mais interessante.

Xbox encontrou uma maneira de transformar o problema em vantagem

A discussão sobre mídia física ganhou força depois que a Sony confirmou seus planos de começar a abandonar gradualmente a produção de discos para PlayStation a partir de 2028. A possibilidade de uma próxima geração cada vez mais digital fez muita gente questionar o que acontecerá com a preservação, revenda e acesso a jogos antigos.

A Xbox, pelo menos neste momento, está oferecendo uma resposta diferente.

Não necessariamente uma resposta definitiva para o futuro dos discos, mas uma maneira de não jogar fora aquilo que o consumidor já possui.

Existe inclusive uma ironia deliciosa nisso tudo. A indústria passou anos dizendo que o futuro seria digital porque seria mais conveniente para todo mundo. Agora, quando o físico finalmente começa a desaparecer, surge uma das soluções mais interessantes justamente ao permitir que o disco físico se transforme em um direito digital.

É quase uma ponte entre duas eras.

E há outro detalhe importante: mesmo que a próxima geração do Xbox Helix eventualmente abandone o leitor de discos, esse tipo de sistema poderia ajudar a preservar o valor dos jogos físicos que os jogadores já possuem. Não resolve todos os problemas de propriedade digital, claro, mas pelo menos cria um mecanismo de transição muito mais amigável.

No fim das contas, o programa mostra algo que deveria ser óbvio, mas que a indústria frequentemente esquece: quem comprou um jogo físico já pagou por aquele jogo. Encontrar uma maneira de transportar esse direito para um ambiente digital moderno não deveria ser tratado como um favor.

Deveria ser o caminho natural.

Clima Sussuworld

Tem muita discussão sobre quem está “matando” a mídia física, quem vai abandonar o disco primeiro e qual console será totalmente digital. Mas, no meio dessa novela toda, a Xbox acabou apresentando uma ideia que eu considero simplesmente excelente.

Você comprou o jogo? Tem o disco? Então transforma aquele disco em uma licença digital e guarda a mídia na estante. Sem mensalidade, sem ficar colocando o disco para confirmar propriedade e, melhor ainda, com a possibilidade de preservar o acesso mesmo quando aquele jogo já não está disponível para compra.

Isso é preservação de verdade.

Não significa que a mídia física esteja salva. Talvez nem esteja. O próprio futuro da cadeia de produção de leitores ópticos parece cada vez mais complicado. Mas, enquanto a indústria corre para o digital, esse tipo de solução mostra que existe uma maneira de fazer essa transição sem simplesmente mandar a coleção de quem comprou jogos durante décadas para o limbo.

Agora falta uma coisa: mais editoras entrarem no programa.

Porque se Ubisoft, Sega, Bandai e outras começarem a abrir a porteira, aí sim teremos uma das iniciativas mais interessantes da geração Xbox. E, convenhamos, seria bonito demais ver aquele jogo velho que você comprou há quinze anos continuar tendo vida útil na próxima geração. 

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