Naoki Hamaguchi diz entender quem adota o “sem disco, sem compra” e revela que usou sua posição para defender uma versão física do encerramento da trilogia.

A discussão sobre o futuro da mídia física nos videogames ganhou mais um capítulo interessante. Naoki Hamaguchi, diretor da trilogia de remake de Final Fantasy VII, revelou que fez o possível dentro de sua posição para garantir que Final Fantasy VII Revelation, capítulo final da trilogia, recebesse uma versão física.
A declaração acontece em meio às discussões cada vez maiores sobre o desaparecimento dos discos e o avanço das versões exclusivamente digitais. Para Hamaguchi, a preocupação dos jogadores com essa mudança é perfeitamente compreensível.
“Eu fiz o meu melhor”
Em entrevista, Hamaguchi explicou que existe atualmente uma pressão crescente dentro da indústria para priorizar versões digitais e edições de consoles sem leitor de discos.
Mesmo diante desse cenário, o diretor afirma que utilizou sua posição para defender a existência de uma edição física de Final Fantasy VII Revelation.
“Usei minha posição para defender uma versão física tanto quanto possível”, explicou Hamaguchi.
O diretor também deixou claro que entende perfeitamente quem não está satisfeito com as decisões tomadas em relação ao lançamento.
“Eu entendo completamente que existem pessoas que podem não concordar ou aprovar essa direção. Só gostaria que vocês entendessem que eu vejo completamente de onde vocês estão vindo e que fiz o meu melhor.”
É uma declaração particularmente interessante porque mostra que a decisão final sobre o formato de lançamento não está necessariamente nas mãos do diretor do jogo.
O futuro pode ser um código dentro da caixa
Hamaguchi também reconheceu uma possibilidade que já vem provocando bastante discussão entre os jogadores: um futuro no qual as chamadas versões físicas sejam, na prática, apenas uma caixa contendo um código para baixar o jogo.
Nesse cenário, o consumidor continuaria recebendo uma embalagem física, mas o disco deixaria de carregar os dados completos do jogo.
Para quem valoriza a preservação, a possibilidade é problemática justamente porque muda completamente o significado de possuir uma cópia física.
Um disco com o jogo gravado pode continuar sendo utilizado enquanto o hardware compatível existir. Já um código depende de uma loja digital, de servidores e da manutenção da infraestrutura responsável pela ativação e distribuição do conteúdo.
A preocupação vai além de Final Fantasy VII
A declaração de Hamaguchi chega em um momento particularmente delicado para os colecionadores.
A indústria vem reduzindo gradualmente a presença da mídia física, enquanto algumas empresas passam a oferecer consoles e jogos cada vez mais direcionados ao formato digital.
O debate ganhou ainda mais força com decisões relacionadas à produção futura de discos, incluindo os planos da Sony para encerrar a fabricação de determinados tipos de mídia física de jogos nos próximos anos.
Nesse contexto, a posição de Hamaguchi chama atenção justamente porque ele não tenta simplesmente minimizar a preocupação dos jogadores.
Ele reconhece que existe uma parcela do público que considera a existência de uma cópia física um fator determinante para decidir se compra ou não um jogo.
Final Fantasy VII Revelation fecha uma trilogia histórica
Final Fantasy VII Revelation será o terceiro e último capítulo da atual trilogia que começou com Final Fantasy VII Remake e continuou com Final Fantasy VII Rebirth.
Por isso, a discussão sobre sua versão física ganha um peso adicional.
Não estamos falando apenas de mais um lançamento da franquia. Trata-se do encerramento de uma das maiores releituras já realizadas pela Square Enix, baseada em um dos RPGs mais importantes da história.
Para os jogadores que pretendem guardar os três capítulos como parte de uma coleção, a forma como Revelation será distribuído pode ser especialmente importante.
E existe ainda uma questão maior: se até um projeto desse tamanho precisa lutar internamente para manter uma edição física, o que isso significa para os jogos menores nos próximos anos?
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Essa declaração do Hamaguchi é interessante justamente porque ele não aparece fazendo discurso corporativo. Ele basicamente está dizendo: “eu entendo vocês, também gosto de mídia física e tentei defender isso, mas existem decisões acima de mim.”
E sinceramente? É uma distinção importante.
O debate sobre mídia física já deixou de ser simplesmente “gosto de ter caixinha na estante”. Existe uma discussão sobre posse, preservação, acesso e dependência de servidores.
Se amanhã a indústria chegar ao ponto em que toda “edição física” for apenas uma caixa bonita com um código de download, tecnicamente teremos uma embalagem física, mas não necessariamente uma cópia física do jogo.
E para quem cresceu comprando cartucho, CD e DVD e colocando aquilo no console para jogar, a diferença é enorme.
No caso de Final Fantasy VII Revelation, pelo menos fica registrado que o diretor da trilogia tentou manter essa opção disponível. Agora resta descobrir exatamente que tipo de lançamento físico a Square Enix conseguiu colocar nas mãos dos jogadores.
Porque, no fim das contas, existe uma frase que resume perfeitamente essa discussão:
Sem disco, sem compra.
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