Review | Tales of Eternia Remastered: A prova de que esse clássico merecia voltar!

Vida de jogador, principalmente Old School é assim: Tem jogo que a gente conhece. Tem jogo que a gente gostaria de conhecer melhor. E tem aqueles clássicos que ficam guardados na memória, esperando uma chance pra voltar.

Tales of Eternia é um desses jogos.

A Bandai Namco está trazendo de volta alguns títulos antigos da franquia Tales com o projeto Remastered, anunciado durante as comemorações dos 30 anos da série. E, cara, eu tinha três desejos nessa história: Tales of Graces f, Tales of The Abyss e Tales of Eternia.

O primeiro já voltou. O segundo continua na minha lista de sonhos. E agora temos Eternia novamente, disponível para jogar nas plataformas modernas.

Pode parecer só mais um relançamento, mas, para quem gosta de JRPG, tem um gostinho especial. Afinal, estamos falando de um jogo que nasceu lá no fim de 2000, na época do PS1.

E que jogo!

Eternia ou Destiny II? Essa história é uma novela!

Quando Tales of Eternia chegou ao Ocidente em 2001, acabou recebendo o nome de Tales of Destiny II. A ideia era aproveitar o reconhecimento que Tales of Destiny tinha conquistado por aqui, mas a mudança acabou criando uma confusão danada.

O verdadeiro Tales of Destiny 2 chegou depois, em 2002, para PlayStation 2. Ou seja, Eternia não é uma continuação direta de Destiny. São jogos diferentes, com histórias próprias.

A franquia Tales sempre teve essa característica. A maioria dos jogos apresenta um universo e personagens novos, com temas e ideias que se repetem de maneiras diferentes. Você pode escolher o jogo que você quer começar na série sem precisar conhecer todos os anteriores. (Mas conhecer os outros só vai te fazer bem viu?)

Eternia é um ótimo exemplo disso.

Dois mundos, um problemão!

A história acontece em um mundo dividido entre Inferia e Celestia. Os dois estão separados por uma barreira misteriosa e não têm contato há cerca de dois mil anos.

É nesse cenário que conhecemos Reid, um rapaz de uma pequena vila de Inferia. Sua vida muda quando ele e sua amiga Farah encontram Meredy, uma garota que veio de Celestia trazendo um aviso preocupante: os dois mundos estão prestes a colidir.

Só que existe um problema. O pessoal de Inferia cresceu ouvindo histórias nada amigáveis sobre os habitantes de Celestia. Para muita gente, eles são bárbaros, criaturas perigosas e até canibais (sério). Então, quando Meredy aparece, a recepção não é exatamente calorosa.

Reid e Farah resolvem ajudar a garota e partem em busca de Keele, um jovem que estudou na universidade e que talvez pode entender melhor o que está acontecendo.

E aí começa a aventura.

O grupo precisa descobrir como impedir a catástrofe, encontrar os espíritos elementais e entender a relação entre os dois mundos. Mas o mais interessante não é apenas salvar todo mundo de uma colisão gigantesca.

É acompanhar pessoas completamente diferentes tentando trabalhar juntas. Cada personagem tem seu jeito de pensar, suas atitudes e sua visão do mundo. E essas diferenças aparecem durante a jornada. O preconceito entre os povos também tem espaço na história, mostrando como o medo e a desinformação podem separar pessoas que nem sequer tiveram a chance de se conhecer.

O próprio Keele começa enxergando Meredy quase como um objeto de estudo. Ela fala uma língua que ninguém entende, e ele quer descobrir como tudo funciona.  Fora o medo que ele tem de ela devorar ele, hehehe. Aos poucos, porém, o relacionamento entre eles e os demais integrantes do grupo vai ganhando novas camadas.

Eternia também gosta de jogar uns termos esquisitos na sua cara. Craymels, espíritos elementais e outras explicações sobre o funcionamento daquele mundo aparecem durante a aventura. Às vezes, os próprios personagens ficam tão perdidos quanto a gente.

E isso rende momentos divertidos.

Conforme você avança, o universo fica mais interessante e as peças começam a se encaixar. É aquele tipo de RPG que tem uma aventura para contar, mas também encontra espaço para desenvolver seus personagens pelo caminho.

As skits estão de volta!

Uma das coisas mais legais deste remaster é o retorno das skits, aquelas conversas entre os personagens quando eles estão em um acampamento e que ajudam a mostrar como o grupo funciona longe dos grandes acontecimentos da história.

São momentos menores, muitas vezes engraçados, mas que fazem diferença. Você acompanha as personalidades, as implicâncias e as relações entre os integrantes da equipe. E, quando percebe, já está gostando de passar um tempo com aquela turma.

Tem até uma cena em que Reid resolve cantar para o grupo.

Ou tenta, pelo menos.

Porque o rapaz não se sai muito bem nessa empreitada, não! 😂

É justamente esse tipo de momento que dá vida aos personagens. Eles não precisam estar sempre salvando o mundo ou discutindo alguma revelação gigantesca. Às vezes, basta uma situação boba para você conhecer melhor quem está viajando ao seu lado.

O remaster recupera cerca de 300 skits, com tradução e dublagem em inglês. É uma adição importante, especialmente para quem não teve acesso a essas cenas na versão ocidental de PS1.

Eternia já tinha uma boa história. Com essas conversas de volta, fica ainda mais fácil se apegar ao grupo.

Porrada em tempo real!

Agora vamos falar de uma das partes que mais gostei: o combate.

Tales of Eternia não fica naquele esquema de escolher um comando e esperar sua vez de atacar. Aqui, a pancadaria acontece em tempo real, em um campo de batalha em 2D.

Você corre para os lados, pula, ataca e usa habilidades especiais. Também pode dar ordens aos seus aliados para que eles ataquem ou realizem outras ações durante a luta.

E isso deixa as batalhas bem divertidas!

O combate tem aquela pegada de jogo de luta, com os personagens se movimentando pelo cenário e encaixando golpes. Você pode combinar ataques normais com técnicas especiais e manter os inimigos ocupados enquanto o restante do grupo entra na briga.

Você controla diretamente um personagem, enquanto os outros três ficam sob o comando da inteligência artificial. Ou, como a gente falava na época do PS1, da máquina! KKK”. Também dá para ajustar o comportamento da equipe e orientar os aliados a priorizar ataques, magia ou suporte.

E não pense que basta apertar os botões sem prestar atenção. O jogo recompensa quem aprende a usar os golpes e aproveita as oportunidades para atacar. Algumas habilidades funcionam melhor contra inimigos específicos, enquanto outras têm mais alcance ou ajudam a atingir criaturas no ar.

Reid também aprende novas técnicas conforme você usa determinados tipos de ataque. Então vale experimentar em vez de ficar repetindo sempre o mesmo golpe.

As batalhas comuns são rápidas, mas os chefes podem exigir um pouco mais de atenção. E, pelo que joguei, achei a dificuldade bem balanceada. O jogo não deixa você avançar tão facilmente, mas, com alguns níveis a mais e bons equipamentos, dá para seguir sem transformar cada encontro em um sofrimento.

É aquele equilíbrio gostoso: você precisa jogar, melhorar seus personagens e prestar atenção, mas não sente que o jogo está simplesmente tentando impedir seu progresso.

E é muito bom ver um RPG antigo com um sistema de combate que continua divertido de jogar hoje.

Um mundo daqueles que a gente sente falta

A exploração segue a estrutura clássica dos JRPGs daquela época. Você visita cidades, entra em masmorras, conversa com personagens e atravessa o mapa-múndi com seus bonequinhos passeando por uma representação maior do cenário.

É aquele formato que muita gente vai reconhecer na hora.

A aventura principal leva por volta de 30 horas, dependendo do seu ritmo, e ainda existem missões secundárias, chefes secretos e outros conteúdos para quem quiser continuar explorando.

E eu gosto dessa proposta. Não precisa transformar toda aventura em um compromisso de 150 horas. Um RPG pode contar uma boa história, apresentar personagens interessantes e oferecer bastante coisa para fazer sem exigir que você more dentro dele.

As masmorras também seguem uma estrutura mais compacta, ajudando a manter o ritmo da jornada. Você explora, enfrenta inimigos, resolve o que precisa e segue para a próxima parte da aventura.

Sem enrolação desnecessária.

Um remaster que respeita o original

Agora chegamos a uma parte que me agradou bastante.

Estou jogando Tales of Eternia Remastered no Xbox Series S, e o cuidado com o visual chama a atenção. O jogo mantém aquele estilo pixelado, com personagens pequenininhos e cenários cheios de personalidade. É um visual que lembra os RPGs antigos e que, pessoalmente, eu adoro.

Os gráficos ficaram caprichados, com uma apresentação mais limpa, mas sem perder a identidade do original. E tem um detalhe muito legal: você pode entrar nas opções e selecionar o modo Original.

Pronto! O jogo volta ao visual clássico da versão de PlayStation 1.

Aí é só alternar entre os dois modos e comparar. A diferença aparece na hora. A versão remasterizada deixa a imagem mais limpa e os pixels mais definidos, enquanto o modo Original recupera aquela aparência do lançamento clássico.

E o melhor é que não tentaram transformar Eternia em outra coisa.

Ainda bem!

Porque é justamente esse estilo que faz parte da graça. Quem jogou o original pode matar a saudade, enquanto quem está chegando agora encontra um RPG com visual próprio, sem aquela tentativa de esconder a idade do jogo.

Também é possível escolher entre a trilha sonora remasterizada e a original, composta por Motoi Sakuraba. E há opções de qualidade de vida que ajudam a adaptar a experiência ao seu gosto.

Você pode ajustar a frequência dos encontros aleatórios, escolher níveis de dificuldade e usar indicadores para acompanhar objetivos e eventos. Também existem opções para facilitar a progressão, como aumentar a experiência recebida e a quantidade de dinheiro obtida.

Outra mudança bem-vinda é poder tentar novamente um chefe sem precisar encarar toda aquela volta depois de uma derrota.

São recursos que respeitam o jogo original, mas dão mais liberdade para cada pessoa jogar do jeito que preferir. Quem quiser uma experiência mais próxima da época do PS1 pode manter as coisas mais tradicionais. Quem preferir aproveitar as melhorias modernas tem opções para isso.

Nem tudo precisa ser reinventado para funcionar bem.

Às vezes, basta preservar o que já era bom e facilitar a vida de quem está jogando hoje.

Só tem uma coisa que senti falta: português brasileiro. Sendo bem sincero, eu até achei que o remaster teria localização em português, mas não tem. Para um RPG com tanta história e diálogo, seria uma adição muito bem-vinda.

Vale a pena?

Cara, Tales of Eternia Remastered é aquele tipo de retorno que dá gosto de ver.

A história continua interessante, os personagens têm personalidade e o combate em 2D é divertido. As skits ajudam a dar vida ao grupo, e as melhorias visuais deixam tudo mais bonito sem apagar o charme do original.

Eu gosto especialmente dessa decisão de preservar a identidade do jogo. Não tentaram enfiar um visual completamente diferente, nem transformar Eternia em algo que ele nunca foi.

Ele continua sendo aquele JRPG de outra época, com suas particularidades, seu ritmo e seu jeito de contar uma aventura. Só ganhou alguns cuidados para funcionar melhor hoje.

A falta de português brasileiro é uma pena, mas não apaga o trabalho feito no remaster.

Se você gosta de JRPGs clássicos, quer conhecer um capítulo importante da franquia Tales ou simplesmente sente falta daquela época em que a gente começava uma aventura e ficava curioso para descobrir o que vinha depois, vale dar uma chance.

E para quem já jogou no PS1, existe aquele prazer especial de reencontrar um velho conhecido e perceber que ele continua divertido.

Agora fica a torcida para o próximo sonho sair da gaveta também.

Tales of The Abyss, estamos de olho em você!

Palavra de Sussu.

 *Tales of Eternia Remastered foi gentilmente cedida pela Bandai Namco. A SussuWorld agradece. #CriadorBandai

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