Diretor criativo da sequência de Control afirma que a história de Dylan exige uma abordagem mais introspectiva, deixando de lado o espetáculo musical que marcou momentos inesquecíveis dos jogos anteriores da Remedy.

Uma das tradições mais queridas pelos fãs dos jogos da Remedy Entertainment não estará presente em Control Resonant da maneira como muitos esperavam. Os Old Gods of Asgard, banda fictícia responsável por algumas das músicas mais marcantes do universo compartilhado de Control e Alan Wake, não terão nenhuma faixa na trilha sonora da sequência. Segundo o diretor criativo Mikael Kasurinen, a decisão está diretamente ligada à história que o estúdio deseja contar e à maneira como o protagonista Dylan será desenvolvido.
Em entrevista ao site VGC, Kasurinen explicou que a nova aventura precisava de uma abordagem diferente, com mais espaço para momentos introspectivos e para o desenvolvimento emocional dos personagens. Na visão do diretor, o estilo grandioso dos Old Gods of Asgard combinava perfeitamente com determinadas passagens do primeiro Control, mas não necessariamente com a direção narrativa escolhida para a sequência.
A decisão representa uma mudança em relação à tradição recente da Remedy, que transformou as músicas da banda em parte importante de sua identidade criativa. Mesmo assim, os Old Gods of Asgard não foram completamente apagados do universo de Control Resonant: um pôster do grupo aparece no jogo, embora nenhuma música da banda esteja presente.
A história de Dylan vem em primeiro lugar
Ao explicar a escolha, Kasurinen destacou que a equipe precisava concentrar seus esforços na jornada emocional de Dylan, evitando que grandes momentos musicais desviassem a atenção do que realmente importa para a narrativa.
“Menos é mais. Vamos nos concentrar nisso, garantindo que tenhamos a jornada emocional certa”, explicou o diretor criativo durante a entrevista.
Ele também comparou a abordagem de Control Resonant com uma das sequências mais famosas do jogo original: o Labirinto do Cinzeiro, conhecido internacionalmente como Ashtray Maze. Naquela passagem, a música Take Control, dos Old Gods of Asgard, acompanha a ação e se torna parte fundamental da experiência. A sequência ficou marcada justamente pela combinação entre combate, ritmo musical e direção audiovisual.
Em Control Resonant, a intenção é diferente. Segundo Kasurinen, os momentos musicais devem servir à história e ao personagem, em vez de se tornarem o centro das atenções.
“Quando usamos música, como no Labirinto do Cinzeiro, aquilo é sobre a música. Acho que a diferença em Resonant é que esses momentos são, em última análise, sobre a história e Dylan. A música simplesmente está ali para estabelecer o tom certo. O foco não é a música”, explicou.
O diretor acrescentou que a sequência trabalha com uma estrutura e uma direção diferentes para esses momentos. Tudo gira em torno de Dylan, incluindo os demais personagens e os antagonistas. A prioridade é fazer com que os acontecimentos reforcem a trajetória do protagonista, mantendo a narrativa como elemento central da experiência.
A importância dos Old Gods of Asgard para a Remedy
Para quem acompanha os jogos do estúdio, a ausência da banda não é um detalhe qualquer. Os Old Gods of Asgard são o alter ego fictício da banda real Poets of the Fall e fizeram sua primeira aparição em Alan Wake. Desde então, o grupo passou a integrar regularmente as produções da Remedy, com músicas que ajudam a construir a identidade e a atmosfera de seus jogos.

Em Control, a banda ganhou um de seus momentos mais memoráveis com Take Control, que acompanha a sequência do Labirinto do Cinzeiro. Já em Alan Wake 2, o grupo voltou a chamar a atenção com Herald of Darkness, música associada a um dos momentos mais comentados da aventura.
A popularidade dessa apresentação foi tão grande que os Old Gods of Asgard chegaram ao palco do The Game Awards para interpretar Herald of Darkness ao vivo. A apresentação contou com a participação de Sam Lake, diretor criativo da Remedy e intérprete de Alan Wake, em um espetáculo que levou para o palco a mistura de música, narrativa e humor característica do estúdio.
Por isso, a decisão de deixar a banda fora da trilha sonora de Control Resonant chama a atenção. A mudança, porém, não significa necessariamente um afastamento definitivo dessa tradição em futuros projetos. O que Kasurinen explicou foi que, para esta aventura específica, a equipe encontrou outra maneira de conduzir a narrativa e construir seus momentos mais importantes.
Uma sequência que aposta em novos caminhos
A ausência dos Old Gods of Asgard faz parte de uma proposta criativa mais ampla para Control Resonant. De acordo com a avaliação publicada pelo VGC, o jogo aposta em uma mudança de gênero que funciona, com destaque para o elenco, a direção de arte e a capacidade de criar momentos memoráveis. A publicação concedeu cinco estrelas ao título.
A recepção positiva mencionada pelo veículo reforça que a sequência procura construir sua própria identidade, em vez de simplesmente repetir a fórmula do primeiro jogo. Nesse contexto, deixar de lado uma das marcas mais reconhecíveis da Remedy pode ser uma escolha arriscada, mas coerente com a intenção de colocar Dylan e sua jornada no centro de tudo.
Por enquanto, a explicação de Kasurinen deixa claro que a ausência da banda foi uma decisão narrativa deliberada, e não simplesmente uma questão de disponibilidade musical. A Remedy quer que os momentos mais importantes de Control Resonant sejam definidos pela história e pelos personagens, mesmo que isso signifique abrir mão de uma tradição adorada por parte de seu público.
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Essa é uma decisão interessante porque a Remedy construiu uma identidade muito própria ao misturar música, narrativa e momentos completamente inesperados. O Labirinto do Cinzeiro não ficou na memória apenas por ser uma sequência de ação bem dirigida. Take Control ajudou a transformar aquele trecho em um daqueles momentos que você termina de jogar e fica pensando: como é que os caras tiveram essa ideia?
E Alan Wake 2 mostrou novamente a força dessa combinação com Herald of Darkness. A apresentação virou um acontecimento justamente porque a Remedy entende que, quando música e narrativa trabalham juntas, o resultado pode ir muito além de simplesmente colocar uma canção durante uma fase.
Mas também existe uma diferença importante entre repetir uma fórmula de sucesso e saber quando ela não serve à história que você quer contar. Se Dylan precisa de uma jornada mais introspectiva, faz sentido que a equipe procure outras maneiras de criar impacto emocional. Seria um erro colocar os Old Gods no jogo apenas porque os fãs esperam isso, sem considerar se a presença da banda realmente combina com aquele momento.
Agora, convenhamos: vai ser difícil não sentir falta dessa tradição. A Remedy criou uma expectativa enorme em torno dessas apresentações musicais, e isso é um mérito do próprio estúdio. A grande questão é se Control Resonant conseguirá produzir momentos igualmente marcantes por outros caminhos. Se conseguir, teremos mais uma prova de que a identidade da Remedy vai muito além de uma banda fictícia, por mais fantástica que ela seja.
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