A história que já era pesada acabou ficando ainda mais amarga. David Michaud-Cromp, veterano da Ubisoft com mais de 13 anos de casa, revelou que foi demitido após ter sido suspenso por criticar publicamente a política de retorno aos escritórios da empresa.

Na semana passada, ele havia contado que recebeu uma suspensão disciplinar de três dias sem salário por causa de comentários feitos nas redes sociais sobre o Return to Office (RTO) da Ubisoft, enquadrados pela empresa como uma suposta “violação do dever de lealdade”.
Agora, segundo o próprio Michaud-Cromp, a empresa decidiu que ele não pode mais continuar trabalhando lá e encerrou seu contrato. O que torna tudo ainda mais delicado é o que veio à tona depois. Após a cobertura inicial do caso, surgiram prints de mensagens internas enviadas por Michaud-Cromp no canal corporativo da Ubisoft, o Agora. Ali, ele não poupou palavras.
Ele criticou o fechamento de estúdios, a obsessão da empresa com Games as a Service, que segundo ele “vive voltando para nos morder no traseiro”, e atacou diretamente a liderança. Em especial, apontou o estúdio Vantage, comandado por Charlie Guillemot, filho do CEO Yves Guillemot, sugerindo que a posição de comando veio mais do sobrenome do que do currículo.
O ponto central do desabafo era claro. Para ele, quem paga o preço das decisões ruins são os funcionários, enquanto os executivos continuam “nadando em milhões de dólares”. Michaud-Cromp até reconheceu que cortar custos é necessário, mas defendeu que isso deveria começar pelo topo, porque do contrário nada muda.
É difícil imaginar alguém dentro da Ubisoft que não reconheça pelo menos parte desse sentimento. Mas expor isso de forma tão direta, e em canais públicos, acabou sendo demais para a empresa. Agora, o resultado está aí. Um funcionário experiente, crítico da estratégia corporativa, fora.
Um porta-voz da Ubisoft forneceu posteriormente o seguinte comentário: "Compartilhar feedback ou opiniões de forma respeitosa não leva a uma demissão. Temos um Código de Conduta claro que delineia nossas expectativas compartilhadas para trabalhar juntos de forma segura e respeitosa, o qual os funcionários revisam e assinam a cada ano. Quando isso é violado, nossos procedimentos estabelecidos se aplicam, incluindo uma escalada de medidas dependendo da natureza, gravidade e repetição da violação."
Em um momento em que a Ubisoft já enfrenta crises internas, cancelamentos de projetos e queda de confiança, esse episódio adiciona mais uma camada de tensão. Não é só sobre política de escritório. É sobre quem pode falar, como pode falar e o quanto custa levantar a voz.
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