Sony admite: foco agora é monetizar a base de jogadores do PS5 !!

CEO da empresa afirma que a Sony não precisa mais vender o console de forma agressiva e quer aumentar a receita recorrente com quem já está no ecossistema do PlayStation

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A era do PlayStation 5 já entrou em sua segunda metade, e a Sony parece estar mudando claramente a prioridade. Em vez de concentrar seus esforços em vender o maior número possível de consoles, a empresa quer aproveitar a enorme base de jogadores que já está dentro do ecossistema PlayStation.

Em entrevista ao The Wall Street Journal, o CEO da Sony, Hiroki Totoki, explicou que a companhia está confortável com o atual estágio do PS5 e, por isso, não vê necessidade de continuar empurrando o hardware de maneira agressiva.

Segundo Totoki, o momento atual é particularmente favorável para essa estratégia porque o PS5 já alcançou uma escala enorme. A Sony informou que o console estava presente em aproximadamente 93 milhões de lares, e o executivo praticamente confirmou que essa grande base instalada permite à empresa olhar para outras formas de crescimento.

“Não precisamos vender agressivamente o PS5”

Questionado sobre a possibilidade de a atual escassez de memória e componentes estar favorecendo a Sony justamente porque o PS5 já está na segunda metade de seu ciclo, Totoki concordou.

“Estamos na segunda metade de um console PlayStation, o que significa que não precisamos vender agressivamente o console hoje.”

E aqui está a parte mais interessante da declaração.

Em vez de tentar colocar mais milhões de PS5 nas casas, a Sony está concentrando seus esforços naquilo que chama de receita recorrente proveniente da atual base de usuários.

O PlayStation Plus aparece como uma peça importante nessa estratégia. De acordo com Totoki, o serviço já possui 125 milhões de usuários ativos mensais, e encontrar maneiras de monetizar melhor essa gigantesca comunidade se tornou uma prioridade para a companhia.

É uma mudança bastante significativa de mentalidade. O console deixa de ser apenas o produto que precisa ser vendido e passa a funcionar como a porta de entrada para um ecossistema capaz de gerar dinheiro continuamente através de assinaturas, jogos, conteúdos adicionais e outros serviços.

PS5 perto de 100 milhões

A estratégia também faz sentido olhando para os números. O PlayStation 5 está se aproximando da marca de 100 milhões de unidades vendidas ao longo de sua vida, o que colocaria o console novamente entre as plataformas de maior sucesso da história.

E ainda existe bastante combustível para manter os jogadores atuais ativos.

Nos próximos meses, a Sony terá grandes lançamentos como Marvel's Wolverine, God of War: Laufey e o remake da trilogia God of War, além de outros projetos destinados a manter o interesse na plataforma.

Ao mesmo tempo, ainda existe uma parcela considerável de jogadores que permanece no PS4 e em consoles da geração anterior. Ou seja, mesmo sem uma estratégia agressiva de vendas, o PS5 ainda pode continuar crescendo organicamente conforme esses usuários decidirem fazer a troca.

O problema está em outra frente.

E o PS6?

A declaração de Totoki também levanta uma questão interessante sobre a próxima geração.

Se a Sony está confortável com sua gigantesca base instalada e pretende extrair mais receita dos jogadores que já possui, será que está dando atenção suficiente à tarefa de conquistar novos consumidores?

Essa questão pode ser importante quando o PS6 finalmente chegar.

Uma coisa é ter uma enorme comunidade fiel ao PlayStation. Outra é conseguir convencer essa comunidade a comprar novamente um console novo e, ao mesmo tempo, conquistar pessoas que atualmente estão fora do ecossistema.

E isso acontece justamente em um momento no qual a relação entre parte dos consumidores e a Sony está sendo testada por questões como aumento de preços do PS5 e a discussão sobre o futuro das mídias físicas.

A Sony parece estar olhando para a base que já construiu e dizendo: temos milhões de jogadores aqui, agora precisamos fazer esse ecossistema render mais.

Financeiramente, é uma estratégia bastante lógica. Mas existe um detalhe importante: a próxima geração não começa quando o novo console chega às lojas. Ela começa muito antes, na percepção que o público constrói sobre a marca.

Clima SussuWorld 🎮

Essa declaração do Totoki é daquelas que parecem simples, mas dizem bastante sobre para onde a indústria está indo.

A Sony praticamente está falando: “Não preciso mais convencer você a comprar um PS5. Agora preciso ganhar mais dinheiro com você.”

E, olhando friamente para os números, dá para entender completamente a estratégia. Uma base de dezenas de milhões de consoles já instalada é uma mina de ouro. Só que existe uma linha tênue entre monetizar uma comunidade e fazer essa comunidade sentir que está sendo espremida.

Para o PS5, talvez não faça tanta diferença. O console já está consolidado.

Mas para o PS6... aí a conversa muda completamente. Quando chegar a hora de pedir novamente alguns milhares de reais pelo próximo aparelho, a Sony vai precisar muito mais do que uma base gigantesca. Vai precisar que essa base queira continuar com ela.

E confiança, xará, não aparece no balanço financeiro. Demora anos para construir e segundos para virar fumaça.

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