Quando a CD Projekt decidiu revisitar The Witcher 3: Wild Hunt para sua nova versão, a equipe não olhou apenas para os gráficos. Segundo Paweł Sasko, designer da CD Projekt e consultor do remaster, o estúdio analisou cuidadosamente as críticas de jogadores e jornalistas para descobrir quais partes do RPG não haviam envelhecido tão bem.

E, nessa avaliação, uma conclusão apareceu de maneira bastante clara para a equipe: o gameplay era considerado o ponto mais fraco de The Witcher 3.
Sasko explicou em uma nova entrevista que a CD Projekt analisou a maneira como o jogo funciona atualmente, as reclamações recorrentes dos jogadores e os elementos que não envelheceram tão bem.
"A história ainda é relevante, você pode jogá-la, ela é bonita e os personagens são divertidos, mas quando você olha para o lado do gameplay, era óbvio que esse era quase o ponto mais fraco", explicou o designer.
Segundo Sasko, a percepção também aparecia de maneira bastante consistente entre crítica especializada e jogadores.
"Quando você olha para as opiniões dos jornalistas e dos jogadores, todos estão dizendo mais ou menos a mesma coisa, que o gameplay é o ponto mais fraco de The Witcher 3."
Remaster vai muito além dos gráficos
Foi justamente a partir dessa avaliação que a CD Projekt decidiu fazer mudanças mais profundas no funcionamento de The Witcher 3.
A nova versão recebeu alterações no combate, uma reformulação da árvore de habilidades, novas animações e finalizações, melhorias na movimentação durante a exploração e outras mudanças destinadas a modernizar a experiência.
A ideia não foi simplesmente pegar o RPG de 2015, aumentar a resolução das texturas e aplicar uma nova iluminação. A equipe aproveitou a oportunidade para mexer justamente em uma das áreas que considerava mais envelhecidas.
E, nesse processo, a experiência adquirida com Cyberpunk 2077 acabou tendo bastante influência.
Cyberpunk 2077 2.0 serviu de referência
Sasko afirma que a comparação entre a reformulação de The Witcher 3 e o trabalho realizado em Cyberpunk 2077 2.0 é válida, embora ele faça uma ressalva importante: não acredita que as mudanças em The Witcher 3 tenham necessariamente o mesmo impacto sobre a experiência geral.

Uma das principais diferenças está na própria estrutura dos protagonistas.
Em Cyberpunk 2077, o jogador controla V dentro de um sistema construído desde o início para oferecer diferentes estilos de jogo, builds e possibilidades de personalização.
Geralt, por outro lado, é um personagem estabelecido. Ele possui uma identidade, habilidades e um estilo de combate próprios.
Por isso, a CD Projekt não poderia simplesmente transformar The Witcher 3 em um RPG completamente diferente.
"Em The Witcher, você está jogando como Geralt, que é um personagem fixo e tem um estilo de luta. Então a reformulação da árvore de habilidades ainda está dentro desses limites", explicou Sasko.
Uma árvore de habilidades mais ativa
Foi justamente nesse ponto que a equipe procurou aplicar uma das ideias utilizadas em Cyberpunk 2077 2.0.
Sasko explica que a antiga estrutura de The Witcher 3 dependia bastante de habilidades passivas. A reformulação procurou aumentar a presença de habilidades ativas, permitindo criar versões mais diferentes de Geralt sem deixar de respeitar as características fundamentais do personagem.
"Agora você pode criar um Geralt realmente diferente", afirmou.
A comparação com Cyberpunk 2077, portanto, está mais relacionada ao processo de pensamento utilizado pela equipe do que à tentativa de transformar os dois jogos em experiências iguais.
Em Cyberpunk 2077, o sistema foi construído desde o início para comportar estilos de jogo e personagens diferentes. Em The Witcher 3, a equipe precisou trabalhar sobre uma estrutura que já existia e sobre um protagonista que não poderia simplesmente ser descaracterizado.
As mudanças começaram antes do remaster
Segundo Sasko, a origem dessa revisão pode ser encontrada ainda no trabalho realizado para a atualização de nova geração de The Witcher 3, lançada em 2022.
Durante aquele processo, os desenvolvedores começaram a discutir quais partes do jogo haviam ficado "enferrujadas" com o passar dos anos.
Essas discussões acabaram levando não apenas às mudanças implementadas na nova versão, mas também ao desenvolvimento da nova expansão The Witcher 3: Songs of the Past, que está sendo produzida pela Fool's Theory e tem lançamento previsto para o próximo ano.
Dessa forma, o trabalho de revisitar The Witcher 3 acabou se transformando em algo maior do que simplesmente atualizar o visual de um RPG clássico.
A CD Projekt está tentando preservar aquilo que continua funcionando no jogo enquanto mexe justamente nas áreas que, segundo a análise da própria equipe, mais precisavam de uma atualização.
Clima SussuWorld
Essa declaração do Sasko é interessante justamente porque não vem daquela conversa de "o jogo já era perfeito e só colocamos gráficos melhores".
A CD Projekt olhou para The Witcher 3, ouviu jogadores e jornalistas e chegou à conclusão de que o gameplay era justamente a parte que mais tinha envelhecido. E beleza, isso é uma avaliação de design, não diminui tudo aquilo que o jogo fez de extraordinário em história, personagens e construção de mundo.
E eu gostei da explicação sobre o Cyberpunk 2.0. Porque seria muito fácil pegar a comparação e falar: "The Witcher 3 vai receber uma reformulação igual à de Cyberpunk". Não é isso. Geralt é Geralt. Você não pode transformar o bruxo em V e sair correndo para Night City.
O interessante é pegar a filosofia por trás da reformulação: menos dependência de habilidades passivas, mais possibilidades ativas e mais maneiras de construir seu próprio Geralt, sem destruir a identidade do personagem.
Agora quero ver isso funcionando na prática. Porque falar que o gameplay foi reformulado é uma coisa. Sentir que Geralt realmente ficou melhor de controlar depois de tantos anos é outra história.
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