Nova pesquisa mostra o tamanho da queda do Xbox diante de PlayStation e Nintendo nos Estados Unidos !!

A situação atual do Xbox já vinha sendo desenhada pelos resultados financeiros, pelas vendas de hardware e pela própria Microsoft, que recentemente admitiu que seu negócio de games não está particularmente saudável. 

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Agora, uma nova pesquisa da Statista Consumer Insights ajuda a colocar essa diferença em perspectiva ao mostrar o espaço que Xbox perdeu entre jogadores de consoles nos Estados Unidos.

O levantamento ouviu mais de 3.200 jogadores norte-americanos sobre quais consoles utilizam regularmente e mostra Xbox atrás de seus dois principais concorrentes, PlayStation e Nintendo.

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Os números não contam toda a história da divisão de games da Microsoft, principalmente porque deixam de fora PC e Xbox Cloud Gaming, mas ajudam a revelar o tamanho do desafio que a nova CEO do Xbox, Asha Sharma, terá pela frente.

Xbox ainda paga por erros cometidos há mais de uma década

Parte da situação atual pode ser rastreada até a geração Xbox One.

A apresentação inicial do console em 2013, as políticas envolvendo jogos usados e conexão com a internet, o foco inicial em televisão e entretenimento e a diferença de preço provocada pela inclusão obrigatória do Kinect criaram uma tempestade que permitiu ao PlayStation 4 conquistar uma enorme vantagem logo no início daquela geração.

A Microsoft corrigiu praticamente todas aquelas decisões posteriormente, mas recuperar jogadores dentro de um ecossistema de consoles é muito mais difícil do que simplesmente convencê-los a trocar de produto.

Bibliotecas digitais, listas de amigos, troféus, conquistas, assinaturas e anos de compras criam raízes.

E a geração Xbox Series X|S não conseguiu reverter completamente essa situação.

A nova pesquisa da Statista mostra justamente como essa diferença continua aparecendo entre consumidores norte-americanos, historicamente um dos mercados mais importantes para Xbox.

Se a situação é complicada até nos Estados Unidos, onde a marca tradicionalmente teve sua maior força, o sinal de alerta fica ainda maior.

O Xbox também enfrenta seus próprios problemas recentes

Naturalmente, seria simplista colocar tudo na conta do Xbox One.

Nos últimos anos, a divisão passou por uma sequência de mudanças estratégicas que também ajudaram a tornar sua identidade cada vez mais difícil de definir.

A Microsoft investiu dezenas de bilhões de dólares em aquisições, expandiu o Game Pass, levou jogos anteriormente exclusivos para outras plataformas, aumentou preços, realizou grandes cortes de funcionários e começou novamente a falar sobre a importância de conteúdo exclusivo.

A própria Asha Sharma admitiu recentemente que o negócio precisa passar por mudanças para voltar a crescer.

No último ano fiscal, a divisão de games da Microsoft registrou queda de 11%, em um momento no qual a companhia também vem tentando reorganizar suas prioridades.

E existe outro detalhe importante: Xbox já não significa apenas console.

Os 200 milhões de jogadores do Xbox

Sharma afirmou recentemente que o ecossistema Xbox possui aproximadamente 200 milhões de jogadores, mas existe uma questão importante sobre como exatamente a Microsoft calcula esse número.

Hoje a empresa possui Minecraft, Call of Duty, Candy Crush, Bethesda, Blizzard e dezenas de outras propriedades disponíveis em praticamente todos os lugares.

Um jogador de Minecraft no PlayStation 5 faz parte desses 200 milhões?

E alguém jogando Call of Duty no Steam?

Sem uma definição mais detalhada da métrica, é difícil utilizar esse número para entender especificamente a saúde do ecossistema Xbox enquanto plataforma.

A pesquisa da Statista, por outro lado, analisa o uso regular de consoles, e é justamente aí que a diferença para PlayStation e Nintendo aparece com maior clareza.

São duas métricas diferentes olhando para duas versões cada vez mais diferentes daquilo que significa “Xbox”.

PC e nuvem podem ser parte da oportunidade

Existe, porém, outro lado dessa história.

A mesma transformação que enfraqueceu a importância do console dentro da estratégia da Microsoft também criou oportunidades que Sony e Nintendo ainda exploram de maneira diferente.

O Xbox Game Pass para PC tornou-se uma parte importante da assinatura, enquanto o Xbox Cloud Gaming permite acessar jogos sem possuir um console tradicional.

Essas áreas não aparecem na pesquisa da Statista.

E podem ser fundamentais para a próxima etapa da estratégia.

Se a Microsoft realmente pretende transformar Xbox em um ecossistema que atravessa consoles, computadores, dispositivos portáteis, nuvem e outros aparelhos, comparar exclusivamente participação entre consoles deixa de representar todo o negócio.

Só que existe um porém enorme aí.

Isso não elimina a necessidade de tornar Xbox atraente como plataforma.

Quanto mais lugares recebem os mesmos jogos, maior precisa ser a razão para alguém escolher entrar especificamente no ecossistema Xbox.

Game Pass pode ser essa razão. Retrocompatibilidade pode ser outra. Play Anywhere, saves compartilhados, biblioteca digital atravessando dispositivos e integração entre console e PC também podem formar uma proposta bastante forte.

Mas essa mensagem precisa ser clara.

E durante os últimos anos, clareza não foi exatamente o maior talento da estratégia Xbox.

Project Helix será um teste gigantesco

O próximo grande teste será o Project Helix, futuro hardware da Microsoft.

Ele chegará em um mercado muito diferente daquele encontrado pelo Xbox Series X|S em 2020.

PCs portáteis cresceram, serviços de assinatura se tornaram comuns, jogos gratuitos ocupam uma parcela gigantesca do tempo dos jogadores e o custo de componentes continua pressionando o preço do hardware.

Ao mesmo tempo, a Sony também prepara sua próxima geração.

Isso significa que simplesmente lançar um Xbox mais poderoso dificilmente será suficiente.

A Microsoft terá que responder uma pergunta muito mais básica:

por que alguém deve comprar o próximo Xbox?

É uma pergunta simples que exige uma resposta muito boa.

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Tem uma coisa nessa pesquisa que considero muito mais preocupante do que simplesmente “Xbox está atrás de PlayStation”.

É onde estamos falando.

Estados Unidos.

Esse sempre foi o quintal do Xbox.

Na geração Xbox 360, Microsoft e PlayStation brigavam praticamente de igual para igual em vários momentos, e nos EUA o Xbox chegou a ser uma força monstruosa. Então quando uma pesquisa mostra a marca perdendo terreno justamente ali, não estamos falando simplesmente daquele velho problema de Xbox vender pouco no Japão.

Existe uma erosão dentro de sua própria fortaleza.

Só que tem uma ironia interessante nessa história.

Talvez a Microsoft nunca tenha possuído tantos jogadores quanto possui hoje.

Minecraft está em todo lugar. Call of Duty está em todo lugar. Candy Crush é gigantesco. Bethesda, Blizzard, Activision... o alcance da Microsoft dentro dos videogames é colossal.

O problema é transformar jogadores da Microsoft em jogadores de Xbox.

E são duas coisas diferentes.

Você pode jogar Minecraft no Switch, Call of Duty no PlayStation e Diablo no PC sem jamais considerar comprar um Xbox.

É aí que aqueles “200 milhões de jogadores” precisam ser analisados com bastante cuidado. O número pode ser absolutamente verdadeiro e, ao mesmo tempo, dizer muito pouco sobre quantas pessoas realmente enxergam Xbox como sua plataforma principal.

Por isso Project Helix talvez seja uma geração decisiva.

Não acho que a Microsoft precise simplesmente copiar o PlayStation e entrar numa guerra tradicional de caixinhas. Esse trem já saiu da estação faz tempo.

Mas ela precisa voltar a fazer uma coisa muito básica:

dar identidade ao Xbox.

Se o próximo aparelho unir console e PC, preservar a biblioteca de gerações anteriores, aproveitar Play Anywhere, Game Pass, retrocompatibilidade e oferecer uma experiência realmente integrada, existe uma proposta interessante ali.

Existe até uma oportunidade enorme.

Mas primeiro o jogador precisa entender o que Xbox quer ser.

Porque depois de anos ouvindo “Xbox está em todo lugar”, talvez a maior missão de Asha Sharma seja explicar por que alguém deveria escolher estar no Xbox.

E essa pesquisa mostra que ela tem bastante trabalho pela frente.

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