
Olha, tem jogo que a gente gosta muito. Tem jogo que marcou uma época. E tem aqueles que, por algum motivo que a gente nem consegue explicar direito, ficam com a gente pra sempre e que, quando volta pra tela, parece que abre uma porta pra uma parte da nossa vida que estava guardada ali. Phantasy Star é esse jogo pra mim.
Eu ainda tenho o cartucho. Ainda tenho meu Master System. A bateria ainda funciona. E eu continuo jogando nele. Jogo no console, jogo no emulador, volto pra Palma, passo por Motávia, chego em Dezori e, quando percebo, já tô de novo completamente dentro daquela aventura que conheço há décadas. Mas dessa vez eu voltei por um motivo diferente.

Descobri uma versão feita por fãs que não tenta reinventar o clássico nem transformar o jogo em outra coisa. Eles olharam pra Phantasy Star, viram o que podia ficar melhor e mexeram só nisso. Preservaram o que faz o jogo ser o que ele é. E depois de jogar essa versão, eu fiquei com uma certeza ainda maior: Dá pra melhorar Phantasy Star sem mexer em Phantasy Star.

Logo de cara você pode escolher como quer jogar. Experiência normal, 2x ou 4x. Mesetas também. Quer jogar igual 1987? Coloca tudo no normal. Quer revisitar a aventura sem se matar de grind? Manda 2x. Quer só aproveitar a história e as dungeons sem perder tempo demais? Coloca 4x e vai. E o jogo continua sendo o mesmo.
Eu joguei o SEGA AGES no Switch e uma coisa me incomodou: eles diminuíram demais os encontros aleatórios. A ideia parece boa, mas Phantasy Star foi feito em cima daquele ritmo. Você anda, encontra monstro, luta, ganha experiência, ganha dinheiro e continua. Quando os encontros ficam raros demais, você fica zanzando pelo mapa um tempão sem achar ninguém.

Aqui os fãs resolveram de um jeito muito mais inteligente: os encontros podem continuar normais, só que você ganha mais experiência e mais Mesetas se quiser. A decisão é sua.
Além disso dá pra mexer na velocidade das batalhas, na velocidade do texto, na fonte, na velocidade de caminhada… até no cabelo da Alis. São detalhes, mas mostram o espírito do projeto. Não tentaram transformar Phantasy Star num RPG moderno. Só abriram algumas portas e deixaram o jogador escolher.
E sabe de uma coisa? Phantasy Star continua delicioso de jogar. É um RPG de Master System de 1987. As batalhas são simples, as cidades são pequenas, os personagens são sprites e as dungeons exigem atenção. Mas tem uma fluidez naquela estrutura que ainda funciona. Você sai, encontra inimigo, ganha experiência, compra equipamento, entra na dungeon, se perde, acha o caminho, volta pra cidade e continua. Ciclo simples. Extremamente satisfatório.

Com mais Mesetas eu até comecei a comprar coisas que em outras partidas eu deixava pra depois. Em vez de olhar o preço e pensar “deixa pra lá”, agora dava pra experimentar. E mesmo assim o jogo continua te obrigando a se virar, a descobrir os caminhos, a montar a equipe. Continua sendo Phantasy Star. Só que falar desse jogo pra mim sem contar a minha história é impossível. Eu lembro quando encontrei ele na locadora da minha cidade. RPG não fazia a fila andar.

Quase ninguém queria alugar. E pra mim aquilo era ótimo, porque significava que eu podia pegar. Eu alugava na sexta-feira, jogava o final de semana e devolvia. Só podia tentar de novo na sexta seguinte. E a semana inteira era aquela torcida:“Pelo amor de Deus, não deixa ninguém alugar esse jogo e apagar meu save.”Como a galera não curtia RPG, eu consegui fazer uma coisa que hoje parece loucura: terminei Phantasy Star alugando o jogo.Toda semana.
Pegava.
Jogava.
Devolvia.
Esperava a próxima sexta.
E fazia tudo de novo.

As dungeons eram outro capítulo. Eu virava cartógrafo. Pegava uma folha de papel e desenhava os caminhos. Entrava por aqui, virava pra lá, marcava porta, anotava onde já tinha passado. Se errasse, voltava e tentava descobrir onde tinha feito a besteira. Não tinha mapa no celular. Não tinha vídeo no YouTube. Era você, a folha de papel e a coragem de entrar de novo naquela maldita dungeon. E então chegou a batalha contra DarkFalz .Eu nunca vou esquecer. Cheguei preparado. Tudo equipado. A luta começou e a pancadaria comeu solta.

Myau morreu.
Noah morreu.
Alis caiu.
Eu olhei pra tela e pensei:
“Meu pai… só sobrou o Odin.”Odin ali, praticamente sozinho, com a pistola laser, enfrentando DarkFalz.
Eu continuei.Nada.
Mais um.
Nada.
A energia foi caindo.
15.
10.
5.
Eu lembro de pensar: “Se esse tiro não matar agora, acabou.”
Apertei....TUM! DarkFalz morreu.
E sabe o que eu fiz?A janela do meu quarto dava pra rua. A galera tava jogando bola na frente de casa.Eu meti a cara na janela e gritei:“
ZEREEEEI!”
A galera olhou e veio aquele:“EEEEEE!”

Cara… como explicar uma coisa dessas? Não era só terminar um jogo. Era terminar aquele jogo. O jogo que eu alugava toda semana. O RPG que quase ninguém queria. O jogo em que eu desenhava mapa na folha. O jogo que eu tinha passado semanas tentando zerar. Aquele grito foi a comemoração de uma criança que acabara de vencer DarkFalz com o Odin respirando por aparelhos. Hoje é muito mais fácil entrar nesse mundo. Tem mapa na internet, tem guia, tem vídeo, tem essa versão que deixa você escolher a velocidade da progressão.

Você não precisa mais passar uma semana rezando pra ninguém apagar seu save. Não precisa desenhar cada corredor. Não precisa necessariamente grindar horas a fio.Mas se quiser viver tudo isso de novo… o jogo continua ali. Essa é a grande vitória dessa versão dos fãs. Eles não tentaram substituir Phantasy Star. Não tentaram corrigir a memória que a gente tem dele.
Só abriram algumas portas e deixaram cada um escolher como quer atravessar. Depois de tantos anos eu poderia dizer que gosto de Phantasy Star só porque marcou minha infância. Mas seria pouco.
Eu gosto porque ainda consigo sentar e jogar.Ainda consigo me perder numa dungeon e me divertir.
Ainda consigo ficar feliz quando aparece um grupo de inimigos.
Ainda consigo comprar uma arma nova e sentir aquela satisfação.
Ainda consigo ouvir aquelas músicas e voltar pro Master System da minha infância.

E agora existe uma versão que deixa revisitar tudo isso de um jeito mais confortável, sem arrancar a alma do jogo. Eles entenderam que Phantasy Star não precisava ser reinventado. Precisava só de algumas ferramentas pra continuar sendo ele mesmo. E talvez seja por isso que eu tenha gostado tanto. Porque depois de quase quatro décadas eu ainda tô aqui. Jogando Phantasy Star. No Master System. No emulador.
Agora com experiência em 2x, Mesetas em 4x, batalhas mais rápidas e um monte de opções que eu nunca imaginei que teria quando estava naquela locadora esperando a sexta-feira chegar. Mas quando entro no jogo…Phantasy Star está lá. O mesmo jogo. A mesma aventura. A mesma sensação. E aquele velho jogador apaixonado continua aqui também. Se você jogou na época, tem uma boa chance de se apaixonar de novo.
Se nunca jogou, mas curte RPG clássico, faz um favor pra você mesmo: dá uma chance. Pode até procurar o mapa da dungeon na internet. Eu não vou julgar. Hoje vocês têm essa vantagem que a gente não tinha. E eu te digo uma coisa:

Phantasy Star é apaixonante do começo ao fim. Pode jogar.
Depois você me agradece.
Veja por mim: mesmo depois de tantos anos, continuo encontrando motivos pra voltar pra Palma, Motávia e Dezori. Talvez seja esse o verdadeiro poder de um clássico. Ele envelhece. A gente envelhece.
Mas algumas aventuras continuam esperando exatamente onde a gente deixou.
E você, qual é o jogo que faria você abrir a janela e gritar “ZEREI!” pra rua inteira?
Phantasy Star é um jogo fantástico e uma obra prima!! É um dos poucos que mistura de forma interessante um RPG mediavel com ficção científica!! A história é muito boa e quem termina o do Master System, quando joga o Phantasy Star IV no Mega, se emociona com certas partes que conectam tudo!!
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