O ex-presidente da PlayStation Studios, Shuhei Yoshida, compartilhou suas primeiras impressões sobre a nova Steam Machine, e sua análise foi bastante direta.

Embora tenha elogiado alguns aspectos do hardware da Valve, Yoshida acredita que o preço elevado e o desempenho abaixo do esperado tornam o aparelho difícil de recomendar neste momento.
As observações foram publicadas em sua conta no X (antigo Twitter), após testar o dispositivo por alguns dias.
Desempenho decepcionou
Segundo Yoshida, o principal problema da Steam Machine está justamente onde muitos esperavam o contrário: na performance.

O veterano da indústria afirmou que o desempenho em jogos 3D é apenas "mediano" e revelou surpresa ao perceber que o próprio sistema recomenda executar diversos títulos em 1080p.
"O desempenho em jogos 3D é... meh. O sistema recomenda 1080p por padrão. Estou voltando para a época do PS4?"
Ele também comentou que alguns jogos levam tempo demais para iniciar, levantando dúvidas sobre o que o sistema faz durante o carregamento.
Controle também recebeu críticas
Outro ponto citado foi o Steam Controller.
Embora tenha elogiado alguns recursos do controle, Yoshida disse que:
- Os analógicos são mais soltos do que ele gostaria;
- Os touchpads funcionam, mas são excessivamente sensíveis e difíceis de utilizar com precisão.
Nem tudo foi negativo
Apesar das críticas, Yoshida destacou diversos pontos positivos da Steam Machine.
Entre eles estão:
- Interface simples e intuitiva;
- Possibilidade de ligar o console diretamente pelo controle, recurso que chamou de "fantástico";
- Placas externas personalizáveis;
- Design compacto;
- Funcionamento extremamente silencioso.
Segundo ele, esses detalhes mostram que a Valve acertou em vários aspectos da experiência de uso.
O grande obstáculo continua sendo o preço
No fim das contas, Yoshida acredita que o maior problema continua sendo o valor cobrado pelo aparelho.
A Valve anunciou dois modelos:
- 500 GB por US$ 1.049;
- 2 TB por US$ 1.349.
Para o ex-executivo da Sony, trata-se de um preço pouco competitivo.
"É difícil recomendar para as pessoas, a menos que seja para pesquisa."
Recentemente, a própria Valve admitiu que o valor ficou muito acima do planejado, explicando que o aumento foi consequência direta da alta no custo dos componentes utilizados na fabricação.
Além disso, a empresa também revisou sua comunicação inicial. Antes, prometia jogos em 4K e 60 FPS, mas passou a descrever o desempenho como "até 4K utilizando FSR 4.1", após questionamentos sobre a capacidade do hardware em manter essa resolução e taxa de quadros nos jogos mais exigentes.
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As declarações de Shuhei Yoshida têm um peso interessante porque vêm de alguém que passou mais de três décadas desenvolvendo hardware e acompanhando a evolução dos consoles. E, curiosamente, suas críticas não parecem atacar o conceito da Steam Machine, mas sim sua relação entre preço e desempenho.
Quando um aparelho ultrapassa facilmente a marca dos mil dólares, a expectativa naturalmente sobe junto. Nesse cenário, recomendar resolução padrão em 1080p e entregar performance apenas razoável acaba sendo um ponto difícil de defender.
A proposta da Valve continua interessante para quem quer uma experiência de PC na sala de estar, mas, pelo menos neste momento, o maior obstáculo parece não ser a tecnologia, e sim convencer o consumidor de que o investimento realmente vale a pena.
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