Um dos nomes mais importantes por trás da tecnologia de Metal Gear Solid e eFootball acaba de mudar de lado no tabuleiro. Julien Merceron, o ex-diretor global de tecnologia da Konami e “pai” técnico do lendário Fox Engine, agora é o CTO da Delphi Interactive, estúdio responsável por desenvolver o novo FIFA da Netflix para a Copa do Mundo de 2026.

Se você já se perguntou quem fez Metal Gear Solid V rodar daquele jeito quase mágico ou como o Pro Evolution Soccer manteve sua identidade técnica por tantos anos, boa parte da resposta passa por Merceron. Ele supervisionou o Fox Engine, usado tanto em MGS5 quanto em PES e eFootball entre 2013 e 2020, antes da Konami migrar para a Unreal Engine. Ou seja, o cara não só entende de tecnologia de ponta, como também já fez jogos de futebol respirarem sensação e resposta.
Agora, ele leva essa bagagem para a Delphi, que está trabalhando em algo bem diferente do FIFA tradicional da EA. O novo jogo, que vai estrear junto da Copa do Mundo de 2026, será streamado via Netflix, rodando direto nas TVs, enquanto os celulares dos jogadores funcionam como controles. Um FIFA pensado para sofá, família e acessibilidade, mas com ambição técnica por trás.
A Delphi ainda conta com a parceria da Refactor Games, estúdio por trás de Football Simulator, que divide o mesmo escritório em Los Angeles. A ideia é “reimaginar o FIFA do zero”, agora que a marca não está mais ligada à EA Sports. Merceron descreveu o projeto como um retorno às raízes dos grandes jogos de futebol. Pequenos times, talentos de elite e foco absoluto na visão criativa, sem aquele peso corporativo que costuma engessar franquias gigantes.
Já Theodor Tang-Peronard, produtor executivo do jogo, foi ainda mais direto. Segundo ele, Merceron é conhecido por criar jogos de futebol que as pessoas amam porque são divertidos e têm sensação certa de controle. Exatamente o tipo de DNA que a Netflix quer injetar nesse novo FIFA.
No fim das contas, é um cruzamento curioso. A mente por trás de Snake, bases militares e infiltração tática agora está desenhando o futuro de um FIFA que vai morar dentro da Netflix, jogado com celular na mão e a TV brilhando na sala.
Se vai dar certo, ninguém sabe. Mas que é uma mistura improvável e fascinante, isso é.
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